Às primeiras horas do dia 7 de Dezembro de 1941 as forças armadas japonesas, com um poderio de fogo aéreo e naval nunca antes visto, atacaram a base norte-americana de Pearl Harbor, no Hawai. Foi há 74 anos!
Na Europa, e um pouco por todo o mundo, grassava uma guerra fratricida desencadeada pelo líder de um país louro e cego. De discurso eloquente, marcado por frases mestras com conteúdo primário a não permitir reflexão, principalmente quando se tem fome, o líder incontestado, e temido, do III Reich desancava nos seus irmãos europeus.
O alucinado de Berlim, que nem louro era e de ariano nada tinha, apregoava e fazia sentir – e de que maneira! – que a causa de todos os males deste mundo e do outro eram os judeus, que dominavam o capital, e os ciganos, pretos e deficientes, corja de criaturas débeis e malcheirosas, um subproduto da espécie humana a ser eliminada do planeta.
Entretanto, no país do sol nascente, um povo pobre mas obediente, submetido ao ritual milenar de um estranho código samurai, capaz do paroxismo de dar a vida pelo Imperador, uma espécie de rei-sol, divindade que nem os mais próximos se atreviam a olhar de frente, fornecia os soldados necessários para aniquilar os inimigos da pátria.
Um caldeirão de excentricidades, com sinais dúbios, que não apenas números e latitudes, faziam “sentir” a ameaça e que os serviços secretos norte-americanos da altura não souberam interpretar.
Bem o tentou, sem êxito, fazer ver aos seus superiores as movimentações anormais da esquadra japonesa no Pacífico, um modesto oficial subalterno dos serviços secretos navais dois dias antes do ataque.
Não se tomaram medidas e o massacre apanhou os americanos desprevenidos: morreram mais de dois mil homens e foram destruídos quinze vasos de guerra, entre eles o mítico “Arizona”!
Nos recentes atentados de Paris, que tiraram a vida a 130 pessoas, a informação de um “gendarme” na fronteira franco-belga, dando conta de que desconfiava da atitude do ocupante num carro, poucas horas depois envolvido na chacina, foi desvalorizada.
Um serviço de informações é trabalho de inteligência, mas só a matemática e a prática de fazer relatórios que ninguém lê, não chegam!
É preciso sentir a adversidade e interpretar sinais. Os serviços de informações, tal como a administração da Justiça, não podem estar entregues só a doutores que tiveram uma vida fácil, com estudos pagos pelos pais e alimentados a nestum e iogurtes. São pessoas de bem, inteligentes, lógicas e racionais, mas previsíveis demais. Gente fina e delicada que o inimigo, astuto e sempre à espreita, bem conhece. E que um dia nos abate a todos!
O fosso, social e humano, que separa os iluminados que mandam, da plebe que os sustenta, é cada vez maior.
Se nada se fizer para contrariar a tendência, ou seja, se não tentarmos ser uma só pessoa e uma só identidade, qualquer dia aparece-nos um senhor de bigode a pôr-nos na linha ou um pequenote de turbante com uma bomba a mandar-nos deste mundo para o de Alá.






























