Esperava este ano estar mais uma vez nas comemorações do 25 de abril em Santarém. Tinha projetado continuar a participar no já tradicional almoço na Escola Prática de Cavalaria, que é sempre, para além de uma homenagem a esta data, um bom momento de confraternização e camaradagem com bons amigos.
Mas duas ou mais semanas antes do dia, conclui que este ano, em que se comemoram os 40 anos da revolução de 74, teria de ser diferente.
Porquê?! Porque tive antecipadamente a certeza de que, nesse dia de manhã, no Largo do Carmo, se iria fazer História. De forma diferente, mas que pode mesmo vir a ser tão importante como o foi há 4 décadas! Não tinha já a mínima dúvida, e muito menos agora a tenho.
E, por isso, tinha de, com a ajuda motivada de bons companheiros de Santarém, de Lisboa e de muitos outros lados do país, colaborar com a Associação 25 de Abril para encher aquele Largo e todas as ruas que lhe dão acesso, como veio mesmo a acontecer, muito mais ainda do que qualquer de nós esperava!
Em 1974 lutou-se pela liberdade e pela democracia e conseguiu-se implementá-la. Hoje temos de lutar e conseguir restaurar a democracia que temos vindo a perder e conservar a liberdade que se vai desvanecendo.
E podemos ter dado para isso um passo importante ao apinharmos toda a zona do Largo do Carmo com dezenas de milhar de portugueses.
Por uma vez, muitos de nós não continuaram passivamente em casa, no café e com bonitos textos no Facebook, a protestar contra o “estado a que chegámos” de que noutro contexto falava Salgueiro Maia na madrugada do 25 de abril de 1974 aos seus soldados.
No discurso dessa manhã, Vasco Lourenço pode até ter sido exagerado nalguns detalhes e pormenores. Claro que isso foi o resultado da desastrada decisão dos partidos do Governo de impedirem os “capitães” de abril de estarem presentes falando nas comemorações oficiais na Assembleia da República.
Conflito tão facilmente evitável! Perguntam alguns porque é que, se nunca falaram nesse ato, agora o queriam fazer? Certamente que essas intervenções já teriam feito sentido em outros anos anteriores. Talvez até elas devessem mesmo ter tido lugar em todos os aniversários da data, já desde 1975. Mas já estivemos porventura em situação que as palavras e recomendações destes homens, mais sentido possam fazer?!
No entanto, o discurso dele foi, no geral, muito acertado e promissor. É que já não é certamente com falinhas mansas nem com vontade de a todos agradar que consertaremos Portugal…
Mas nada disto basta. Este trabalho, esta participação, esta intervenção, têm de ter continuidade. Chegou a altura de passarmos à ação. Chegou a altura de não mais baixarmos os braços, de não mais ficarmos à espera que os outros tomem a iniciativa e tudo façam por nós!
Francisco Mendes





























