O Tribunal de Santarém começou hoje a ouvir 12 cidadãos de nacionalidade chinesa, detidos pela Polícia Judiciária (PJ) num armazém na zona de Felgueiras, onde se dedicavam à plantação e cultivo de cannabis em larga escala.
Os arguidos, oito homens e quatro mulheres sem dupla nacionalidade, foram apanhados pela primeira vez em janeiro de 2025, em Alcanhões, perto de Santarém, onde mantinham um sofisticado laboratório de produção de droga na antiga panificadora da vila.
Todos acusados por um crime de tráfico de estupefacientes, os suspeitos foram apenas presentes a um juiz de instrução criminal e identificados durante o dia de hoje, sendo que o interrogatório judicial prossegue esta sexta-feira, a partir das 10 horas
Segundo a Rede Regional conseguiu apurar, a diligência prolongou-se devido a dificuldades a nível da tradução, pois nenhum dos arguidos declarou compreender a língua portuguesa, nem explicar em concreto a profissão ou a atividade a que se dedicam desde que estão em Portugal.
Depois de Alcanhões e antes de Felgueiras, onde as autoridades apreenderam perto de 3.500 pés de cannabis no armazém arrendado onde todos residiam, o grupo terá passado ainda pelos arredores de Alcobaça e outras localidades no norte do país, dedicando-se à mesma atividade.
Recorde-se que, na antiga “Panificadora Regional de Alcanhões”, a GNR aprendeu 115 quilos de canábis sativa seca e pronta a vender e consumir, e um total de 3.552 pés de canábis sativa em diferentes estados de maturação.
A existência do laboratório foi detetada quase por acaso, após muitas queixas de moradores devido a quebras no fornecimento de eletricidade em partes da vila, devido aos elevados consumos de energia, o que despertou a atenção da EDP e da GNR, posteriormente.
Além da droga, a Guarda encontrou várias salas criadas para as diferentes fases de maturação das plantas, com sistemas de ventilação e aquecimento bastante sofisticados, e apreendeu 526 arrancadores para lâmpadas de aquecimento, 392 lâmpadas de aquecimento, 213 disjuntores elétricos, 72 extratores de gases, 67 filtros de grandes dimensões, 71 ventoinhas, 29 ventiladores, 7 controladores de estufa, 3 balanças de precisão e diverso material relacionado com a produção, secagem e embalamento de produto estupefaciente.
Encerradas em 2013 e depois de vários anos ao abandono, as instalações foram vendidas em 2018 em hasta pública e uma cidadã portuguesa, tendo sido posteriormente adquiridas por um cidadão de origem asiática, que colocou chapas de ferro nos muros à volta da propriedade, tapando a vista para o interior.
Na altura, a população da vila ficou estupefacta com a existência do laboratório, pois nunca se viram quaisquer movimentações junto à antiga unidade industrial, desde que o imóvel tinha sido vendido.






























