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Incêndio e sequestro no Hospital de Santarém: polícia e proteção civil testam resposta a cenário extremo (fotos)

Dois homens armados lançaram o caos nas urgências e Hospital de Santarém esta quarta-feira, 7 de maio. Depois de mais de 12 horas de espera para que a mãe de ambos fosse atendida, os dois irmãos irromperam pelo Serviço de Urgência Geral, provocaram um incêndio próximo da zona de triagem e sequestraram uma enfermeira e o administrador da unidade de saúde, obrigando à intervenção musculada da polícia e dos bombeiros.

Desta vez, tudo não passou de um cenário, preparado previamente e que incluiu dezenas de bombeiros, polícias e figurantes, com o objetivo de testar e melhorar procedimentos de reação a uma eventual ocorrência deste tipo.

A administração alterou temporariamente os circuitos normais dos utentes, de forma a que o exercício não tivesse repercussões na prestação de cuidados médicos aos utentes, e o balanço geral foi positivo, apesar das várias entidades envolvidas terem concluído que há pormenores importantes a melhorar.

O simulacro começou com os dois homens a exigirem que a mãe, após cerca de 12 horas de espera nas urgências, fosse atendida de imediato. A situação descontrolou-se e escalou rapidamente para confrontos e ameaças, que culminaram com os irmãos a provocarem um incêndio, que obrigou à intervenção dos Sapadores Bombeiros de Santarém.

Enquanto os bombeiros apagavam as chamas e evacuavam o local, retirando vários feridos para a zona do heliporto desativado, os dois irmãos sequestraram uma enfermeira da triagem e dirigiram-se à administração, onde sequestram também o administrador da Unidade Local de Saúde da Lezíria, fechando-se numa sala da administração.

Este segundo cenário testou a resposta policial, com cerca de duas dezenas de elementos de várias valências da PSP, nomeadamente da Equipa de Intervenção Rápida (EIR) e da Unidade de Negociação. Após mais de uma hora de negociações, a polícia conseguiu que os suspeitos se entregassem, retirando sequestradores e sequestrados sem ferimentos.

BALANÇO POSITIVO, MAS…

No final do simulacro, proteção civil, bombeiros, polícia e representantes do hospital reuniram-se para uma primeira avaliação ao exercício. “O objetivo era testar procedimentos entre diversas forças de segurança e proteção civil e a nossa capacidade interna de nos organizarmos em situações que escapam àquilo que é a rotina do dia a dia e que podem pôr em causa a segurança dos doentes, dos profissionais e a qualidade dos cuidados prestados”, resumiu o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Lezíria, que tutela o Hospital de Santarém e os centros de saúde da região.

Pedro Marques considera que o simulacro “permitiu reforçar a articulação interna e externa” e o balanço “é um balanço positivo, ainda que haja áreas de melhorias que foram identificadas no nosso debriefing e que vão ser objeto de trabalho futuro para sermos capazes de, em contexto real, darmos resposta e eliminar estas pequenas ineficiências, nomeadamente relacionadas com a forma de comunicação ou a existência de um posto de comando”.

O administrador revela que a ULS tem feito e vai continuar a fazer investimentos em situações como equipamentos de comunicação para usar em caso de falha de energia, assim como em formação de treino intensivo e medidas de autoproteção. O exercício deixou ainda indicadores de que é necessário melhorar a forma e os circuitos de evacuação, pontos de encontro, saídas de emergência, e uso de extintores”, lições que Pedro Marques diz que foram “encaradas com humildade para aprender” e melhorar em situações futuras.

O coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil de Santarém, Filipe Almeirante, ficou satisfeito com a resposta e a articulação entre as forças de segurança e os bombeiros, mas concorda que “houve algumas falhas, que foram identificadas, nomeadamente as comunicações entre as várias entidades, que são sempre um grande desafio neste tipo de ocorrências”.

“Funcionamos em frequências diferentes. Vamos ter de melhorar e vamos emitir um relatório”, diz Filipe Almeirante, destacando a necessidade de realizar outros cenários semelhantes no futuro, que permitam treinar bem as equipas para reagir melhor numa situação real.

Da parte dos Sapadores Bombeiros de Santarém, o comandante da corporação destaca a importância destes exercícios para identificar “as possíveis situações de melhoria em cenários que são sempre complexos e difíceis de resolver”. Carlos Grazina lembra que “Santarém já vai a caminho do terceiro hospital com alguma dimensão e é sempre um cenário complexo pelas comorbilidades dos utentes, por toda a panóplia de químicos existentes na estrutura e todos os condicionalismos da própria unidade de saúde”.

Em termos da resposta policial, João Silva, que coordenou a atuação dos vários meios do comando da PSP de Santarém envolvidos neste simulacro, admitiu alguma limitação dos meios existentes, mas considera que “para uma resposta imediata a uma situação destas, conseguimos acorrer com os meios necessários para responder ao incidente”.

Desta vez, o incidente tático policial foi resolvido apenas com recurso aos negociadores, mas João Silva explicou que, se tal não fosse suficiente, poderiam ser chamados meios externos ao comando distrital, nomeadamente da Unidade Especial de Polícia.

“Serviu para treinar e correspondeu às expetativas. São oportunidades de melhoria em todas as vertentes”, concluiu o comissário.

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