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Heliporto do Hospital de Santarém está encerrado mas helicópteros do INEM voltaram a aterrar no local

O heliporto do Hospital Distrital de Santarém, encerrado há vários anos por falta de condições técnicas e licenciamento, voltou a ser utilizado pelos helicópteros do INEM que, nos últimos tempos, efetuaram pelo menos duas aterragens no espaço, apesar deste se manter interdito pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC).

A última dessas aterragens foi do dia 4 de janeiro, na sequência de um acidente ocorrido na A1, junto a Santarém, em que o ferido mais grave foi transportado para esta unidade hospitalar, com o piloto a decidir aterrar naquele espaço não licenciado, em detrimento, por exemplo, do aeródromo de Santarém, onde existem todas as condições para a aterragem de helicópteros de emergência médica.

A Rede Regional tentou obter esclarecimentos sobre esta situação junto da administração do Hospital de Santarém, que, segundo a NAV, entidade que controla o tráfego aéreo em Portugal, é, formalmente, o operador do heliporto. No entanto os responsáveis da unidade de saúde não prestaram quaisquer informações sobre estas aterragens em local não licenciado, sua propriedade.

Sem resposta ficaram também as várias perguntas colocadas pelo nosso jornal à ANAC e ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que tutela as aeronaves de emergência.

UM PERIGO PARA TRIPULAÇÃO, DOENTES E MORADORES

Sem respostas oficiais, a Rede Regional tentou perceber junto de outras fontes quais os reais perigos deste tipo de aterragens, sendo que, segundo os vários especialistas ouvidos, nestes casos, a decisão de aterrar ou não aterrar é sempre do piloto da aeronave.

Apesar de admitirem que os novos helicópteros ao serviço do INEM, os Airbus H145, são mais versáteis e mais fáceis de operar que os anteriormente utilizados para emergência médica em Portugal, as fontes por nós contactadas referem que o espaço não tem condições mínimas de segurança, entre as quais, por exemplo, a existência de uma manga de vento que permita ao piloto ter noção exata do sentido e intensidade do vento.

Segundo foi possível apurar, o local não tem também marcações de aproximação final e descolagem, marcadores de caminhos de circulação ou iluminação para aterragens noturnas ou em períodos de fraca visibilidade.

Não estando o espaço licenciado, não existem também planos de segurança e de emergência aprovados, pelo que a aterragem fica completamente entregue à perícia do piloto da aeronave. “É como aterrar no meio da autoestrada, só que ali numa zona com edifícios e pessoas nas proximidades”, explica uma das nossas fontes. Outro elemento ligado à emergência médica lembra os acidentes ocorridos com estas aeronaves em locais não licenciados, como o que ocorreu sem setembro de 2024 numa pedreira, em Mondim de Basto.

O heliporto do Hospital de Santarém fica situado nas traseiras do edifício, junto à morgue e à clínica de radiologia, próximo da rua O e de um complexo de campos de padel.

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