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Par scalabitano carrega o sonho de vingar no mundo da dança

Leonor Madeira e Xavier Pereira, um dos pares mais promissores da escola de dança NewStarDance, em Santarém, fecharam o ano de 2025 com uma sonhada participação no Campeonato da Europa que se disputou na Bulgária, no final de dezembro.

Numa verdadeira competição de elite, os jovens scalabitanos classificaram-se no 36º lugar entre as 52 duplas concorrentes ao troféu, numa prova a que conseguiram ter acesso por serem os atuais campeões nacionais de 2025.

A participação neste campeonato, bem como em todas as provas nacionais e internacionais que disputaram, não é fruto do acaso, mas sim de anos de muito trabalho, dedicação e esforço para aperfeiçoar o talento numa modalidade muito exigente para quem nela vê o desejo de triunfar.

“Treinam muitos dias, durante muitas horas. Treinam não só de semana, mas também ao sábado e ao domingo, mesmo que não hajam provas da competição, e participam em «dancing campus» com professores internacionais, que são de manhã à noite”, explica Salomé Ferreira, a professora da NewStarDance que os acompanha.

“Sou muito exigente com ela e com ele, mas é tudo para o bem deles”, reconhece Salomé Ferreira, elogiando a sua dedicação à dança desportiva, modalidade em que competem atualmente em “Juventude Open” durante mais um ano, antes de passarem a adultos.

Juntar a Leonor Madeira a Xavier Pereira “foi uma aposta da escola, porque ela dançava a solo e ele tinha outro par. Desde há sete anos para cá, tornaram-se campeões nacionais”, sublinha Salomé Ferreira, acrescentando que “vimos que havia ali muito potencial para chegar a um campeonato do mundo, o que acabou por acontecer. Passados dois anos, estavam como «Juniores 2» num campeonato do mundo na Roménia”.

Um par a quem não falta o talento e a ambição

Leonor Madeira tem 16 anos, é natural da freguesia das Abitureiras e entrou na dança com 7 anos, depois de uma passagem pela natação; segundo a própria conta, “desde pequenina que eu queria muito dançar”, pelo que optou por esta atividade depois da mãe lhe ter imposto que aprendesse primeiro a nadar.

Já Xavier Pereira tem 17 anos, é natural de Santarém, e recorda-se que ainda estava no infantário quando disse à mãe que queria experimentar a dança; “não me lembro bem do motivo, mas sei que entrei e nunca mais saí porque comecei a competir”, explica.

Segundo o mesmo, é um desporto que lhe “transmite calma”, em que o segredo para chegar a campeão nacional é o resultado de “muito treino, esforço, dedicação e mentalidade, principalmente”.

“São muitas horas de trabalho sempre a repetir, e repetir novamente até chegar à perfeição, cada vez mais”, salienta Leonor, estimando que dedique cerca de 10 horas à dança, regularmente por semana, tempo que se estende nas vésperas de competições importantes.

Os jovens não escondem que o sonho passa por evoluir até chegar a uma final no campeonato do mundo, ou mesmo um pódio.

“É difícil, muito difícil, mas se continuarmos a trabalhar e a dedicar à dança como já nos dedicamos, é possível chegar lá”, afirma Xavier Pereira.

O melhor ano de sempre para a NewStarDance

Fundada em 2010, a NewStarDance é um verdadeiro viveiro de campeões de dança desportiva, com um palmarés de vários títulos nacionais e regionais, tanto a solo, como em pares e por equipas, e nas vertentes de danças standard e latinas.

“Ainda não conseguimos fazer a soma de todos os títulos conquistados esta época, que terminou a 14 de dezembro”, salienta à Rede Regional Nuno Alves, professor e um dos fundadores da escola scalabitana.

Em termos de resultados, foi um “ano maravilhoso, fruto de muito trabalho e muita dedicação e muito empenho de todos. Foi o ano em que tivemos mais pares a representar Portugal em provas internacionais e com mais êxito”, acrescenta Salomé Ferreira.

A NewStarDance, cuja sede se situa na antiga Escola Prática de Cavalaria, tem neste momento cerca de 120 alunos, em que o mais novo da escola tem 5 anos, ao passo que o mais velho tem 85, da turma sénior que a escola orienta às 3ª e 5ª feiras.

“Temos o prazer de ter um grupo que vem só pelo prazer da dança, não vem para competir, além de uma parceira com a Universidade da Terceira Idade de Santarém (UTIS)”, afirma Nuno Alves, explicando que as perspetivas atuais são de crescimento, uma vez que a escola está à espera de novos professores para abrir novas turmas.

A captação de novos praticantes ter sido bastante positiva, explicam os responsáveis da NewStarDance, sublinhando a importância do trabalho que têm desenvolvido junto das escolas e centros escolares da cidade, onde mostram a modalidade aos mais novos e assim despertam o seu interesse.

“As crianças não têm o mesmo conhecimento da dança como têm do futebol ou de outras modalidades, por isso vamos tentar motivá-las a experimentar”, considera Nuno Alves, explicando que escola lançou o projeto “Dança Para Todos” a nível das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC’s) das escolas desde o 1º ciclo, e que tem dado os seus frutos.

Daniel Muta, outro talento da escola, “é campeão nacional, e é um dos alunos que vem do projeto «Dança Para Todos»”, exemplifica Salomé Ferreira, para quem “Santarém tem muito talento para a dança”.

Neste momento, “precisamos de professores que nos apoiem e nos ajudem a ter um trabalho com maior consistência, técnica, rigor, porque o nível a que chegaram já muitos dos alunos exige um nível de acompanhamento mais elevado”, explica Nuno Alves.

Um agradecimento final aos “paitrocínios”

Enquanto responsáveis pela NewStarDande, Salomé Ferreira e Nuno Alves deixam um agradecimento especial e o reconhecimento às famílias dos alunos, uma vez que, sem o seu suporte, não seria possível desenvolver a modalidade e alcançar os resultados de excelência de que esta escola se orgulha.

“A dança é um desporto muito caro e não seria possível sem os chamados «paitrocínios», em que são os pais dos atletas a assumir grande parte das despesas”, reconhece Nuno Alves, explicando que são famílias quem suporta as inscrições nas provas e campeonatos, nas deslocações, não só em Portugal mas também nas idas ao estrangeiro, nos estágios, na aquisição dos fatos, vestidos e calçado.

“A escola não é rica e lamenta não apoiar mais os atletas, mas os apoios da federação não são muitos, e minimizam apenas alguns gastos. Já o apoio da Câmara Municipal de Santarém é uma mais valia para nós”, afirma Nuno Alves, concluindo que “o glamour da modalidade é possível graças ao investimento dos pais”

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