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Imagem de arquivo / Ilustrativa

Ambientalistas, agricultores e empresários turísticos revelaram esta quinta-feira, 20 de janeiro, a sua preocupação com os baixos níveis de água na Albufeira do Castelo do Bode, uma informação confirmada à agência Lusa pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

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“Os níveis na Albufeira do Castelo do Bode estão abaixo da média devido ao facto de, no presente ano hidrológico, não ter ainda ocorrido precipitação significativa que permita repor os níveis de armazenamento após o verão”, disse à Lusa fonte oficial da APA, tendo assegurado não existir neste momento “qualquer risco de garantia no abastecimento público”, que, assegurou, “é prioritário”.

A APA afirma estar “a acompanhar a situação” com os principais utilizadores no sentido de “promover um uso mais eficiente da água e a garantir a reserva de segurança” para o abastecimento público.

“Não é só pela seca, mas também porque a água está a ser turbinada”, disse à Lusa o presidente da Associação dos Empresários de Turismo do Castelo do Bode (AETCB), tendo criticado a “falta de informação” e afirmado “não perceber por que motivo a EDP ou quem gere a barragem está a deixar ficar um nível tão baixo que prejudica claramente a atividade turística” e as atividades náuticas.

Segundo Jorge Rodrigues, “a quota de água de Castelo do Bode está num nível extraordinariamente baixo” e, “a continuar assim”, os operadores turísticos podem ficar com as suas “atividades comprometidas” para a época de verão.

“Não há memória de se ver assim um nível tão baixo na barragem e preocupa-nos que ninguém explique às pessoas o que vai acontecer. Devia de haver um pouco mais de informação e de, na nossa opinião, melhor gestão do recurso da água”, vincou.

Afirmando estar preocupado com os impactos na fauna, flora e biodiversidade ribeirinha, Paulo Constantino, do Movimento pelo Tejo – proTEJO, defendeu a importância da “preservação e salvaguarda dos ecossistemas para criar, regenerar, purificar, criar e reter água”, tendo relacionado a atual situação com as “alterações climáticas e redução dos níveis de precipitação, a par das descargas das hidroelétricas”, portuguesas e espanholas.

“Um dos problemas é que, efetivamente, as hidrelétricas não olham a meios para maximizar os seus lucros e vão debitando água ao seu ritmo”, afirmou Paulo Constantino, tendo feito notar que, “se tivessem sido mantidas mais reservas, com certeza que se conseguiria fazer face a anos hidrológicos em que exista menos precipitação e, portanto, equilibrar e permitir ter água de forma estratégica nas alturas em que ela é necessária”.

A Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação disse à Lusa que a falta de chuva “pode pôr em causa as culturas de outono/inverno, nomeadamente os trigos, as aveias e as cevadas” e “também as pastagens que alimentam o gado, começando a haver problemas com falta de alimento” para os animais.

De acordo com o IPMA cerca de 85% do território no final de dezembro estava em seca meteorológica. A avaliação hidrológica que semanalmente é realizada ilustra que os armazenamentos nas albufeiras a nível nacional estão abaixo da média exceto nas bacias do Douro, Vouga, Guadiana e Arade.



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