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O Tribunal da Relação de Évora confirmou a pena que o Tribunal de Santarém aplicou à mulher que colocou piripiri na vagina da namorada do seu ex-marido, entre outras agressões, num caso ocorrido em 2011, perto de Ourém.

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Recorde-se que, em janeiro de 2018, Paula S., de 45 anos, foi condenada em primeira instância a quatro anos de prisão, com pena suspensa, pelos crimes de sequestro, roubo e coação agravada.
Entre outras questões, a arguida recorreu para a Relação tentando impugnar a matéria de facto discutida no primeiro julgamento, ou seja, alegando que o coletivo de juízes não podia ter dado como provados alguns dos factos que constam da Acusação do Ministério Público (MP), e que resultaram na sua condenação.
O tribunal superior de Évora acabou por não dar provimento ao recurso, confirmando a decisão do Tribunal de Santarém e mantendo intata a pena suspensa de quatro anos.

Arrufo amoroso está na origem do crime
O caso remonta a julho de 2011, e começou quando a vítima, Sandra G., tentou enviar uma mensagem amorosa ao então namorado, Paulo F.
Só que a mulher enganou-se no número e remeteu a mensagem para o telemóvel da arguida, que se tinha divorciado do homem há pouco tempo e desconhecia o relacionamento entre os dois.
Na altura, a arguida e a vítima eram também amigas e colegas de trabalho, e inclusivamente costumavam partilhar transporte para a fábrica onde eram funcionárias, em Abiul, no concelho de Pombal.
Ferida no seu orgulho, Paula S. decidiu vingar-se da amiga.
A arguida combinou levá-la de boleia para o trabalho no dia seguinte, mas, a meio do percurso, desviou o carro para uma zona de mato perto de Alvaiázere, Ourém, onde estava já escondido Sandro S., um cidadão brasileiro que foi seu cúmplice nas agressões a Sandra G.
Segundo a matéria dada como provada, a vítima foi retirada do carro com grande violência para o chão do pinhal, onde a despiram e lhe colocaram “uma grande quantidade de piripiri na vagina”, de acordo com o acórdão a que a Rede Regional teve acesso na altura.
O coletivo de juízes deu ainda como provado que, enquanto mantiveram a mulher sob sequestro, durante mais de uma hora, os agressores ainda a espancaram com uma toalha, cortaram-lhe o cabelo e ameaçaram pendurá-la pelo pescoço num pinheiro, caso fizesse queixa às autoridades.
Paula S. e Sandro S. acabaram por largar a vítima junto do local onde estava estacionado o seu carro, mas ficaram-lhe com o telemóvel, ato que valeu à arguida a condenação por roubo.
Segundo o acórdão, Sandra G. ficou bastante traumatizada com as agressões e passou a viver aterrorizada, e só participou o episódio à GNR após ter sido pressionada pelo ex-marido da arguida, que receava que Paula S. concretizasse as ameaças de morte.

 



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