O “Jorge” que afinal se chamava “António” foi condenado a cinco anos e meio de cadeia pelo Tribunal de Santarém, num julgamento que decorreu sempre na sua ausência, pois está a trabalhar e a residir atualmente em França.

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O burlão, que manteve durante 30 anos uma dupla identidade, foi considerado culpado de um crime de burla qualificada e cinco de falsificação de documento, o que, a somar ao seu extenso cadastro criminal, deu pena de prisão efetiva.
O coletivo de juízes deu como provado que, servindo-se da identidade falsa como “Jorge S.”, o homem de 54 anos, de nome verdadeiro “António G.”, conseguiu ludibriar bancos e instituições de crédito para comprar casa própria, carros e para despesas próprias, entre outras situações de burla.
Tal como a Rede Regional já tinha avançado, em 1986, “António G.”, vendedor ambulante nascido em Ansião, apresentou-se na Conservatória do Registo Civil de Rio Maior dizendo chamar-se “Jorge S.”, e solicitando a sua própria certidão de nascimento, que, na realidade, nunca existiu.
Mesmo sem indicar a filiação e apresentar documentos comprovativos, o processo administrativo acabou por ser deferido, com a ajuda dos dois cúmplices que fizeram fé que um homem era o outro.
Os dois cúmplices – a companheira que está com ele em França e um amigo – foram também arguidos neste processo, mas acabaram absolvidos por falta de matéria probatória.
Já o arguido principal, como “Jorge S.”, conseguiu tirar Bilhete de Identidade, Número de Contribuinte, cartão da Segurança Social e até Passaporte, documentos falsos que usou para contrair empréstimos bancários e contratos de locação financeira que não pagou, deixando os bancos “a arder”.
Além da parte criminal, o Ministério Público (MP) pedia que o arguido fosse condenado ao pagamento de quase 13 mil euros, a soma de todas os casos de burlas do Despacho de Acusação, mas “António G.” acabou condenado a pagar uma verba que não chega aos 8 mil euros, a apenas uma instituição bancária e a uma empresa fornecedora de gás doméstico.

Mais informações em:

A história do "Jorge" burlão que afinal era o "António"