Uma mulher residente no concelho de Abrantes deixou de receber o Rendimento Social de Inserção (RSI) aparentemente por causa de um "post" em tom de brincadeira que colocou no Facebook, a dizer que ia viajar.

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O Centro Distrital de Segurança Social de Santarém cortou-lhe inesperadamente o chamado Rendimento Mínimo alegando "ausência do país", mas o facto é que a beneficiária - que pede reserva de identidade por temer mais complicações - nunca saiu de Portugal.

A mulher, de 39 anos, sofreu um grave acidente de viação em junho de 2014, tendo sido submetida a duas operações cirúrgicas.

Antes da segunda intervenção, no início de novembro, colocou na sua página pessoal do Facebook a imagem de uma boneca em cima de várias malas de viagem, a dizer que estava a caminho da Suíça.

A mensagem era uma simples brincadeira dirigida aos amigos, ironizando com o facto de não poder aceder à rede social enquanto estivesse hospitalizada.

No final de novembro, sem que nada o fizesse prever, recebeu uma carta da Segurança Social a informá-la que o RSI tinha sido cessado com base no Artigo 22º, ou seja, por "ausência do país".

Segundo a queixosa, o Facebook é única origem possível para esta disparatada confusão.

Para mais, a técnica dos serviços da Segurança Social de Abrantes que instruiu o seu processo do RSI era sua "amiga" na página pessoal e "chegou a colocar «gosto» na referida foto", segundo relatou a beneficiária à Rede Regional.

Segurança Social agrava asneira com exigência "ridícula"

tomarsegurancasocial02Desempregada e com dois filhos menores a seu cargo, a beneficiária - que auferia cerca de 285 euros mensais - não recebe qualquer apoio social desde o passado mês de dezembro.

Após ter sido notificada da decisão, juntou os documentos que tinha do internamento hospitalar e apresentou a sua contestação na Segurança Social.

Além de não reconhecer o lapso, os serviços exigiram à mulher que apresentasse um atestado da Junta de Freguesia da sua área de residência a certificar que nunca se tinha ausentado do país.

"O que é perfeitamente ridículo, pois sabe lá o presidente da Junta se eu andei no estrangeiro ou não", desabafou a queixosa à Rede Regional.

A Rede Regional solicitou esclarecimentos ao Instituto da Segurança Social, em Lisboa, que não nos fez chegar nenhuma resposta substantiva com explicações relativas ao caso em apreço.

Entretanto, a mulher já descreveu o caso no Livro de Reclamações dos serviços da Segurança Social de Tomar.