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Fernando Ramos, o candidato derrotado às eleições para a concelhia do PS Cartaxo do passado dia 1 de Junho, foi acusado de plagiar textos de duas candidaturas apresentadas em Famalicão e Faro para construir o texto da sua própria moção política.

Segundo um comunicado da actual comissão política concelhia (CPC) do PS Cartaxo, a situação foi denunciada na última reunião desta estrutura partidária, realizada na noite de segunda-feira, 25 de Junho.

“A moção política de Fernando Ramos era uma cópia de uma moção apresentada em Famalicão, em 2010, e de uns textos apresentados em Abril deste ano por Mário Dias, candidato à concelhia do PS de Faro”, explica o mesmo comunicado, onde o actual presidente, Pedro Magalhães Ribeiro, considera esta situação “vergonhosa”.

Com a descoberta do caso, ficam revelados “os verdadeiros motivos de uma candidatura que se apresentou sem ideias próprias", considera Pedro Ribeiro, acrescentando ainda que "mais do que nunca é preciso separar o trigo do joio no PS Cartaxo”. “Esta situação colocou a nu que há um conjunto de pessoas que dentro do partido não têm qualquer tipo de pudor em enganar os militantes e a opinião pública", afirma ainda.

“Não entro em calúnias e maledicências”

Contactado pela Rede Regional para se pronunciar sobre este caso, Fernando Ramos sublinha que as acusações que lhe são imputadas “são calúnias e maledicências, e isso fica sempre com quem as pratica”. O actual presidente da Junta de Freguesia de Vale da Pinta diz ter sido surpreendido com as suspeitas que foram levantadas e que apresentou os seus argumentos na própria reunião, perante os restantes militantes socialistas.

“Fizeram-me chegar às mãos vários documentos com linhas gerais de orientação do PS e eu nunca pensei estar a agir erradamente quando aproveitei algumas coisas para escrever a minha própria moção”, explicou à Rede Regional Fernando Ramos, acrescentando que não pretende “entrar em guerras pessoais que só servem para dividir o partido”, mas que, na próxima reunião da CPC Cartaxo, vai confrontar o actual presidente com alguns textos das moções e documentos políticos que tem apresentado.

Comissão aprova voto de repúdio

Ao ter conhecimento da situação, a actual CPC do Cartaxo aprovou por unanimidade um voto de repúdio contra Fernando Ramos, “por ter plagiado a moção que apresentou nas eleições do passado dia 1 de Junho para o PS Cartaxo”.

Recorde-se que a lista de Ramos somou 159 votos, contra 201 militantes que votaram na lista de Pedro Ribeiro.

No comunicado, o actual presidente desta estrutura partidária confessa que já sabia da situação antes das eleições e estende as suas críticas ao actual presidente da Câmara do Cartaxo, o também socialista Paulo Varanda.

"Apesar de ter tido conhecimento desta fraude no dia das eleições, não quis fazer desta vergonha um trunfo eleitoral, quis ganhar pelo mérito das ideias apresentadas e do trabalho realizado nos últimos anos à frente do partido”, escreve Pedro Magalhães Ribeiro, para quem "é hoje claro para todos que a candidatura de Fernando Ramos não teve como objectivo nem construir um projecto para o PS nem para o concelho do Cartaxo”.

O candidato “apoiado pelo actual presidente da Câmara Municipal, eng. Paulo Varanda, teve apenas como objectivo a manutenção deste no poder, a qualquer preço, não olhando a meios e enganando os militantes e os nossos concidadãos", conclui.

Mais informação em:

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O primeiro-ministro “é um vendedor do interesse nacional que anda pela América Latina a entregar a preços da uva mijona empresas estratégicas para o desenvolvimento e o crescimento do país”, disse Jerónimo de Sousa no discurso de encerramento da IX Assembleia da Organização Regional de Santarém do PCP, que decorreu no domingo, 24 de Junho, em Alpiarça.

Esta reunião magna das estruturas distritais do partido, que reuniu cerca de 200 delegados na sede do C. D. “Os Águias”, serviu para a eleição da nova Direcção da Organização Regional de Santarém (Dorsa), órgão que coordena toda a actividade política no distrito.

Um dia antes da Assembleia da República discutir a moção de censura ao governo apresentada pelo PCP (e que deverá ser chumbada pela maioria que o sustenta, com a abstenção do PS), o secretário-geral dos comunistas passou em revista um ano de governo PSD / CDS para concluir que “as consequências são catastróficas”.

“Um ano passado do governo e do pacto de agressão da Troika, fica claro quem serviu e quem beneficiou com os compromissos assumidos nas costas do povo, e quem sofre com as suas consequências”, disse Jerónimo de Sousa, sublinhando que “os milhares de euros pagos em impostos pelos trabalhadores e pelo povo vão imediatamente para os cofres da banca”.

Em Alpiarça, Jerónimo de Sousa recordou a sua visita do início do mês à Feira da Agricultura para dar o exemplo de um sector que o governo pretende destruir em nome dos interesses dos parceiros europeus, ao não impor mecanismos de regulação e protecção do mercado nacional.

“Bem ouvimos os agricultores queixarem-se dos custos dos factores de produção, dos preços dos combustíveis, das rações e dos fertilizantes, e da banca, que não concede crédito à produção, e quando concede é a preços exorbitantes”, salientou o líder do PCP, acrescentando que os agricultores também estão começam a mostrar preocupação “com os custos da anunciada privatização da água e com o que isso pode vir a acarretar”.

O líder comunista frisou ainda a luta desigual contra a grande distribuição, em que os produtores que “se queixam dos baixos preços pagos à produção e das dificuldades de vender a um preço justo”, casos do azeite, leite, carne, fruta e vinho.

Ainda na parte do discurso dedicada à agricultura, Jerónimo de Sousa alertou para o facto de que o recente acordo de cooperação económica entre a União Europeia e Marrocos “dá facilidade à entrada de produtos agrícolas daquele país em Portugal, como moeda de troca de bens e serviços produzidos nos países mais industrializados da Europa”. “Isto pode significar o encharcar do mercado português com produtos em que agora temos boa produção, caso do tomate”, e que para o Ribatejo “seria desastroso”, avisou.

 

Secretário-geral do PCP apela à luta contra a reforma do mapa judiciário

Jerónimo de Sousa deixou vários reparos à nova lei dos compromissos das autarquias locais, considerando tratar-se de um “verdadeiro garrote destinado a impedir a realização das competências das autarquias”, e criticou também os efeitos da reforma do mapa judiciário no distrito, onde está previsto o encerramento de 4 tribunais – Ferreira do Zêzere, Golegã, Alcanena e Mação.

“Trata-se da justiça, um pilar do regime democrático e uma função de soberania de que nenhuma parcela do território deve ser amputada”, disse o secretário-geral do PCP, para quem “este ataque aos direitos dos cidadãos é inaceitável, mas não inevitável e muito menos imparável”, sendo para isso necessário “alargar o caudal de protesto que esta proposta está a levantar, de norte a sul do país”.


Depois de ter decretado dia de luto municipal, a Câmara Municipal da Golegã colocou uma urna fechada e um carro funerário em frente ao palácio de justiça da vila na terça-feira, 19 de Junho, num protesto simbólico contra o encerramento do tribunal.

“Hoje é o tribunal, amanhã será o serviço de finanças, a segurança social e quiçá, um destes dias, a Câmara Municipal”, lia-se num dos documentos distribuídos pela autarquia, que considera a decisão do Ministério da Justiça “irracional” e baseada apenas em “critérios políticos”.

Além do presidente Veiga Maltez e dos restantes elementos da Câmara da Golegã, a acção de protesto contou ainda com a presença de Sérgio Carrinho, presidente da Câmara do concelho vizinho da Chamusca, que pertence à mesma comarca, alguns presidentes de Junta de Freguesia e outros eleitos do distrito, entre mais de uma centena de populares.

A primeira versão da reforma do Mapa Judiciário apresentado pelo governo previa o encerramento apenas três tribunais no distrito (Mação, Alcanena e Ferreira do Zêzere), mas uma segunda versão tornada pública no final de Maio acrescentou-lhe a comarca da Golegã.

Segundo a autarquia, não há critérios objectivos que justifiquem esta decisão. Ao contrário dos 567 processos referidos no documento que contém as linhas estratégicas para a reforma da organização judiciária, entraram no Tribunal da Golegã 870 processos no 1º semestre de 2012. Para mais, esta comarca serve aproximadamente 16 mil habitantes, quando este documento apenas considerou os residentes no concelho da Golegã.

A autarquia argumenta ainda que abrange uma área de 800 quilómetros quadrados, sensivelmente 10 vezes mais que Lisboa, e que o tribunal funciona com um orçamento anual de 21 mil euros, aproximadamente 60 vezes menos que os vencimentos dos presidentes da PT ou da GALP, por exemplo.

No protesto, foi ainda criticado o facto do governo estar a promover a reforma do Mapa Judiciário sem ouvir primeiro os municípios.

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