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A nossa Cortiça Portuguesa

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Susana Veiga Branco

Vivemos a febre da cortiça, ela anda a preencher os meios de comunicação e por bons motivos.

Por cada tonelada de cortiça produzida 73 toneladas de dióxido de carbono são retirados da atmosfera, segundo um estudo realizado pela Universidade de Aveiro. Os sobreiros funcionam como um sumidouro de dióxido de carbono, tendo fortes poderes ecológicos, retirando da atmosfera os gases com efeito de estufa.

A utilização da cortiça ajuda assim a colmatar alterações ecológicas e substitui produtos com uma carga energética pesada. Só coisas boas! Mais coisas boas: de dia para dia aumentam os projetos e startups ligados à cortiça. Ela é, indubitavelmente, uma mais valia portuguesa, está na moda e relança-se com força no mercado interno e externo. É um setor importante e estratégico para a economia nacional, tendo representado em 2010 uma faturação superior a mil milhões de euros, ou seja, 1.5% da produção industrial nacional e cerca de 2.1% das exportações nacionais. Em 2014 Portugal exportou 846 milhões € de cortiça. São dados significativos.

Sabendo que em Portugal o montado de sobreiro representa cerca de 21% da área florestal e é responsável pela produção de mais de 50% da cortiça consumida em todo o mundo, é preocupante o facto desta área, a médio prazo, ter tendência a diminuir.

O montado é um ecossistema muito específico, característico a norte do Tejo, sendo o Alentejo mas também o Ribatejo as zonas onde predomina. O nosso País conta com uma área de 730.000 ha de montado de sobro, o que equivale a mais de 50% da produção mundial de cortiça, tendo a APCOR como a Associação do setor corticeiro.

Os Sobreiros (Quercus suber) são árvores frondosas e imponentes que podem chegar aos 25m de altura e aos 300 anos, que nos oferecem a sua casca rica em suberina, extraída quando a árvore atinge entre 25 a 30 anos, nos meses de Junho a Agosto. Depois, a cortiça é extraída a cada nove anos. Uma curiosidade acerca deste produto natural é ser extremamente resistente ao fogo, protegendo a árvore dos incêndios.

A cortiça é tida como uma matéria-prima nobre e longe vai o tempo em que apenas era utilizada para revestimentos, isolamentos e rolhas. Novas formas de gestão e de tecnologia elevam este material a outros níveis, dando-lhe uma dimensão muito mais abrangente e apetecível. Desde a alta costura, passando pela arquitetura e escultura e indo até à indústria aeronáutica e espacial, a flexibilidade deste material junta inovação, qualidade, sustentabilidade e responsabilidade social. Temos vencedor!

Já há quem diga que é o material nobre deste século e que é o material do futuro. Mas para que tal seja possível, há que pensarmos: apesar de supostamente o montado ser legalmente protegido, sendo proibido o seu abate e incentivada a exploração, como é possível vermos o abate destas árvores, como é possível não se investir mais nas plantações, como é possível a área ter disparado em termos de interesse mas não em termos de intervenção. Não é uma plantação por outra que vai solucionar o caso (embora ajude, claro); há necessidade de grandes investimentos. A demora com o retorno tolda a visão e muito mais a ação e a continuarmos assim, em breve não teremos material português para fazer face à procura. Esperar-se-ão importações? De cortiça, o nosso material especial e de qualidade? Que pena, que vergonha. Eu quero para o mundo produtos originais portugueses com cortiça portuguesa.

Ainda um dia irei ter aquele chapéu de chuva de cortiça que é um ícone, lindo na sua humildade, genuinamente português! Que orgulho!

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