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Alban Arthan

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Samuel Pimenta

O solstício de Inverno é uma morte simbólica em que nos depuramos em busca do conhecimento interior. Neste tempo, colhemos dentro de nós toda a matéria pantanosa, reunimo-la e, dentro dela, colocamos a semente da flor-de-lis, do lótus, do lírio que irá florir na Primavera. Este tempo de transição é a oportunidade de permitirmos que o novo, a renovação, entre na nossa vida, e por isso é um (re)nascimento também. O Rei Artur retorna ao reino. Nasce Jesus, para quem acredita. Nasce a oportunidade, a mudança, a esperança, a luz.

O solstício marca o tempo em que as horas de luz regressam à terra, a luz de um novo tempo. Coincide com a data que, segundo o calendário pagão, marca o dia do nascimento de Hórus, o deus-sol: 25 de Dezembro. É esse sol que volta a brilhar acima das nossas cabeças, essa luz que regenera a vida que morreu, que transitou e se depurou, para surgir limpa e nova, para que possamos recomeçar. E brilha também dentro de nós, guiando-nos no nosso caminho de eremitas em busca dos mundos que nos habitam. Esses mundos interiores são regidos por Saturno, cujas festividades, as saturnálias, vão de 17 a 24 de Dezembro. Encerram, assim, o período marcado pelo equinócio de Outono, em que, nos meses em que a luz foi ficando cada vez mais parca, nos virámos para o interior e nos confrontámos com as nossas próprias sombras. Todas as sombras que carregamos devem ser conhecidas nossas, pois mais facilmente as moldaremos, mais facilmente lhes levaremos luz. Após esse confronto, que visa construir-nos enquanto homens e mulheres, através do aperfeiçoamento do ser, da lapidação, cruzamos o pórtico que se abre com o solstício de Inverno, regidos pela luz que se infiltra nas sombras e as transforma. Saturno rege essa passagem, a transição, por isso é o deus do tempo, da escuridão e da morte. A morte é só a transformação do que está vivo, por isso a vida sai sempre vencedora.

A chegada do Inverno é, para mim, motivo de celebração, é um período de magia e evolução. Um portal. A fluidez das águas e os raios dourados da luz amadurecem os solos e nutrem-nos com a força vital que permite fixar raízes. O solstício convida-nos a fixar a consciência em quem realmente somos. Fixar raízes nos mundos interiores já depurados para que mais facilmente possamos fluir pelos rios que as águas do Inverno nos doam, sempre virados de frente para a luz da promessa arturiana. E assim, inicialmente eremitas que carregam uma lamparina para alumiar o caminho, transformamo-nos em seres renovados que são, por si só, a luz.

 

Alcanhões, 26 de Dezembro de 2014 – 23h51m

 

(*) Alban Arthan, em galês, significa Luz de Artur, referente à simbologia do Rei Artur É a celebração druídica do Solstício de Inverno.

 

 

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