Tinha muitos temas para hoje. Desde a Viver Santarém até ao tempo em que exerci funções autárquicas muito há a esclarecer, pois muitas têm sido as asneiras praticadas, escritas e publicadas.
Mas a voragem dos acontecimentos obriga-me hoje a falar do Partido Socialista, o meu partido, aquele onde já exerci funções de dirigente local, distrital e até nacional. Que me perdoem os meus leitores que gostariam que o tema fosse outro. É um imperativo ético que me leva a fazê-lo. Que fique claro que tenho amigos dos dois lados. Lados que, estranhamente, aparecem agora. A situação que atravessa o PS é de facto muito estranha.
Cá no burgo, na sequência de uma derrota histórica dos partidos da coligação, numas eleições europeias onde, por exemplo em Espanha, os escândalos e o desemprego acompanham o partido que governa, o PSOE teve 23%, pede-se a cabeça do líder, António José Seguro (AJS).
Em 2011 apoiei Seguro no confronto contra Assis, tendo voltado a apoiá-lo em 2013, num congresso em que António Costa é o nº 1 da lista de Seguro. Quer em 2011, quer em 2013, Seguro tinha as características que hoje são postas em causa por muitos que agora o querem ver pelas costas! Se não servia para líder do PS porque razão não avançaram, nessa altura, as alternativas de hoje? Será que só fazia sentido aparecer depois das autárquicas e das europeias?
Espero que esta luta interna não comprometa a coesão necessária para o PS aparecer como alternativa credível, aos olhos dos eleitores, no próximo acto eleitoral em Portugal. Desejo que as posições expressas pelos socialistas de ambos os lados sejam suficientemente elevadas, em democracia, e sem “sujarem” o carácter dos envolvidos. Diz-se muito disparate e fazem-se afirmações desajustadas nestes períodos. Oxalá se consiga evitar esses exageros, mas pelo que vejo nas redes sociais as “coisas” estão demasiado feitas e ainda a procissão vai no adro!
António José Seguro tem certamente defeitos, mas as suas qualidades e o conhecimento que tenho da sua vida levam-me, uma vez mais, a apoiá-lo. Confesso que tenho aversão a salvadores da pátria ou supostos heróis que chegam envoltos em nevoeiro.
Enquanto militante de base participarei na campanha por Seguro. Imagino o que ele sentirá ao olhar à sua volta e perceber que alguns dos que lhe batiam nas costas, que o beijavam, que nas últimas autárquicas lhe pediam apoio e se apoiaram nele e usaram o seu nome para chegarem onde chegaram, que se faziam fotografar ou filmar com ele, agora voltam-se em busca de um outro novo apoio!
A política precisa de homens bons. Não só de bem-falantes e de “artistas” que vendem a “banha da cobra”. A imprensa fabrica muitos líderes e ajuda muito a ganhar e a perder. AJS nunca teve, enquanto líder, uma boa imprensa mas é um homem bom. Aqui fica o meu testemunho de apreço e o meu abraço solidário.
Rui Pedro de Sousa Barreiro






























Uma resposta
A isto que Rui Barreiro aqui expressa eu chamo nobreza de caracter, o que estão a fazer ao Seguro e traição, mas e assim em regra geral na politica, vale tudo pelo tudo, mas olhem que o tiro pode sair pela culatra, essa colagem a extrema esquerda pode funciona mal, que ganhe o melhor