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A Estação Zootécnica Nacional – Fonte Boa

RUI BARREIRO

Conheço a Fonte Boa desde pequenino! O encanto dos animais e especialmente a beleza dos cavalos encantaram-me durante a minha meninice. As cores e os odores característicos marcaram a minha juventude. Cresci com aquela instituição marcante para o País e para a região, mas principalmente para o Vale de Santarém e para a Póvoa da Isenta. Muitas famílias estão ligadas àquela instituição – pais, filhos e netos passaram pela EZN.

Instituição que já viveu tempos áureos e várias ameaças de que iria terminar, ser encerrada, deslocalizada ou mesmo totalmente extinta.

 Actualmente tem cerca de um quinto dos funcionários que já teve. Ao longo dos últimos anos tem vindo a “definhar” como muitas outras instituições ligadas ao ministério da agricultura. A investigação caiu e o país deixou de ter condições para olhar para algumas das suas jóias como a EZN, que rapidamente se transformaram em encargos quase incomportáveis. A culpa não é só dos governos e dos dirigentes. Autarcas, funcionários, políticos, jornalistas, todos fomos, conformadamente, convivendo com o declínio daquela instituição. Uns mais que outros, mas o estado a que a Fonte Boa chegou, na altura em que se comemoram os 100 anos da instalação da EZN na Fonte Boa, deve envergonhar-nos a todos.

 Reforço a convicção que tenho. Quando tive responsabilidades políticas locais e nacionais sempre olhei com muito carinho para a EZN. Provavelmente não terá sido suficiente, mas sempre tentei, enquanto autarca e governante ajudar a Fonte Boa. Lembro-me de muitos dos dirigentes daquela casa, uns mais empenhados outros menos, mas a paixão pela Fonte Boa continuava por lá! A perda de funcionários e capacidades instaladas, a diminuição das valências e a degradação patrimonial começam a tornar quase inevitável o seu fim.

Mas é preciso dizê-lo e reafirmá-lo: há solução para a EZN, tal como há para o nosso País. Infelizmente, para alguns ainda impera o “quanto pior melhor”. Depois virão os abutres beneficiar dos despojos. Desde a Escola Prática de Cavalaria à Unicer, Santarém tem perdido, nos últimos tempos, alguns dos seus símbolos do século vinte. O grave é que não falamos só de símbolos. Falamos de empresas e instituições que são criadores de riqueza e de emprego, áreas essenciais que devem motivar todos os que têm responsabilidades.

Oxalá a Escola Superior Agrária e as outras escolas que constituem o Politécnico de Santarém estejam atentas e se preparem para evitar o que aparenta começar a desenhar-se. Como podemos ter um agro-cluster de sucesso no Ribatejo se não tivermos educação e investigação nessas áreas. Nós já temos as instituições e agora é preciso trabalhar para que não as percamos!

Voltemos à Fonte Boa. Quando desempenhei as funções de Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural tive a possibilidade de aí instalar o banco de germoplasma animal! Mais uma valência para ajudar a manter aquele espaço. Garanti também que se fizesse a recuperação de algum do património construído para albergar serviços da Direcção Regional de Agricultura (DRAPLVT). Infelizmente, passados alguns anos, os serviços ainda não se mudaram e o espaço recuperado continua vazio.

Ainda me lembro das críticas que recebi de um “jornal amigo” quando os serviços de Florestas e Veterinária, porque chovia nas instalações onde funcionavam, se mudaram para o CNEMA espaço para onde deveria ter ido, no tempo de Santana Lopes, a Secretaria de Estado da Agricultura e que devido a politiquices e interesses alheios ao interesse nacional foi para a Golegã.

Mais isso é outra história. Aliás, caso se pretendesse criar de raiz um espaço para todos os serviços agrícolas o CNEMA devia ser considerado como uma opção a ter em conta, mas em tempo de “vacas magras” nem sempre se ponderam todas as opções e se pensa no futuro. Na altura disseram que esses serviços das Florestas e Veterinária deviam ir para a Fonte Boa. Não deixa de ser curioso de se lembrarem disso só quando ocorreu a mudança! A adivinhar pelo tempo que os serviços da DRAPLVT estão a demorar a mudar, provavelmente as Florestas e Veterinária ainda estariam no mesmo local e em condições que não dignificavam ninguém.

Admito, que faz sentido juntar todos os serviços do ministério. Mas com dignidade e condições de trabalho. Pessoalmente acho que se deveria voltar a ter uma organização do ministério semelhante à implementada no tempo do ministro Gomes da Silva, mas esta também é matéria para reflexão futura apesar de para mim ser claro que só há vantagens numa concentração de todos os serviços ligados ao sector primário.

Defendo há muito tempo que a EZN poderia ser a casa dos serviços de agricultura. Devia existir um plano de médio prazo que garantisse os meios necessários e permitisse a mudança, ao longo dos próximos anos, de todos os serviços ligados ao actual ministério da agricultura permitindo redução de custos e aproveitamento de estruturas de suporte e apoio muito semelhantes. Não faz sentido agora, como não fazia no passado, construir “pré-fabricados” para albergar serviços quando há património do ministério que precisa de ser recuperado e, principalmente, usado. Nada melhor para a degradação que o abandono.

E tem a EZN muitas outras potencialidades. A título de exemplo relembro que a EZN tem um picadeiro e instalações para cavalos que podiam ser usadas. E tem valências sociais importantes que não se podem perder.

Aceito que outros pensem de maneira diferente. Mas tomem decisões! Que salvaguardem o interesse público e o futuro da nossa terra! Se é para morrer que se morra de pé!

Rui Pedro de Sousa Barreiro

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