Escrever em Abril é sempre uma responsabilidade acrescida. Não apenas porque se comemora uma data importante para os Portugueses e para a Democracia mas também porque se recorda Salgueiro Maia.
Pensar pela sua cabeça, aceitar a diferença mas ter coluna vertebral não é fácil hoje, tal como não era no passado. Muitas vezes critica-se quem tem poder, seja ele político, económico, ou expresso através de um órgão de comunicação social! Esquecemo-nos também com frequência que para a “coisa acontecer” há os chamados” executores”. Aqueles que se prestam a fazer o “frete”. Alguns, admito eu, são os que possam gostar de “lixar “o parceiro e sintam nisso prazer, mas muitos fazem-no por obediência cega, por facilitismo, por subserviência, para ganhar uns cobres ou uns lugares melhor remunerados, outros por cobardia ou, quem sabe, por ignorância.
Quem se conforma hoje com a utilização dos dinheiros públicos para a promoção temporária da “boa imagem”, seja ele proveniente do poder central, local ou empresarial, não está a trair os valores de Abril? E quem pratica esta utilização do dinheiro de todos nós para se perpetuar no poder ou pelo menos para não ter “chatices” o que está a fazer?
Tal como em 1974, a democracia que estamos a construir precisa de uma comunicação social livre, isenta e de qualidade mas essa comunicação social tem custos que não podem ficar exclusivamente ao sabor de alguns poderes sejam eles empresariais ou políticos.
Aperfeiçoar a democracia é dever de todos os democratas. Um dever colectivo mas também individual. Ao contrário do que se diz muitas vezes a democracia não é um dado adquirido, tem que se aperfeiçoar, aproximando as suas práticas dos cidadãos, aumentando a transparência. Menorizar a actividade pública é meio caminho andado para o nascimento de sistemas autoritários, basta ler a história do século XX!
As crónicas de escárnio e mal-dizer fazem parte da nossa literatura e estão muito na nossa matriz identitária. A capacidade de descobrir outros mundos e de partir, também são características nossas.
Aos que por cá ficam deve ser exigido que construam um país melhor, onde os valores do humanismo devem estar presentes. A fuga dos refugiados e a sua “saga” até à chegada a Portugal pode fazer-nos reflectir sobre o nosso papel no mundo.
Hoje, em Abril de 2016, que mundo estamos nós a ajudar a construir?
Rui Pedro de Sousa Barreiro




























