Seg, 15 Julho 2024

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Para que tudo fique na mesma é preciso que tudo mude

PEDRO MENDONÇA

Roubei a frase do título deste artigo a Giuseppe Tomasi di Lampedusa, um escritor italiano do início do século XX autor de "O Leopardo", o romance que deu origem ao famoso filme de Visconti com o mesmo nome que expôs a decadência da aristocracia italiana e o seu confronto com um possível novo mundo encarnado pelos ventos da república e da unificação italiana.Esta frase encerra em si um dos maiores perigos com que os povos se deparam em períodos de aparente mudança. Por vezes o Poder precisa de dar a ideia de estar a operar transformações profundas para conseguir a simpatia do povo, quando na realidade o seu objetivo é afinal apenas e só manter o Status Quo de quem manda.

Esta frase veio-me à ideia a propósito das mudanças exigidas pelos eleitores aquando das últimas eleições autárquicas na minha terra, o Cartaxo. Numa campanha eleitoral dura e concorrida como poucas, duas ideias passaram para o eleitorado em jeito de "revolução municipal": seria feita de imediato uma auditoria à gestão dos anteriores autarcas e depois dela nada ficaria na mesma, seria essa auditoria que iria desmoronar pedra a pedra a Corte que governava o Cartaxo e então sim, chegaria uma nova forma de exercer o Poder.

Passou-se desde a tomada de posse dos novos eleitos quase um mês, já se realizaram entretanto duas reuniões do executivo camarário e a marcação do início da tão prometida auditoria, base de toda as mudanças, continua por fazer. À aparente transformação que se vive, continua a faltar um verdadeiro conteúdo que contrarie a célebre frase de Lampedusa e a verdade é que enquanto não existir auditoria as mudanças são apenas aparentes e o perigo que tudo fique na mesma é real, os eleitores podem ter dado o mandato para mudar e os mandatos podem afinal conservar a impunidade dos anteriores governantes.

Não quero com esta linha de raciocínio dizer que os que hoje estão no poder são iguais aos que lá estiveram, mas sem uma auditoria célere que responsabilize quem atirou o Cartaxo para a bancarrota o verdadeiro cancro que mina a democracia – a impunidade de quem governa – nada verdadeiramente muda. Sem auditoria célere que distinga dívida legítima da ilegítima nenhuma negociação com os credores será justa. Sem auditoria célere que diga, sem margens para dúvida, qual é afinal o estado das finanças do concelho, não há nova gestão que se aguente e sem auditoria célere não há aprendizagem com os erros do passado, havendo o alto risco de se perpetuarem as más decisões.

É necessária uma imediata auditoria ou verdadeiramente nada mudará, independentemente das boas intenções de cada um dos atores políticos.

Para que o Cartaxo deixe de ser a Madeira do Ribatejo e nada fique na mesma, é necessária uma Auditoria Já!

 

Pedro Mendonça

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