Em Portugal, os imbecis falam cada vez mais sem o mínimo de vergonha na cara, falam desassombradamente e sem medirem as palavras com a certeza da impunidade dos seus actos e omissões. Sentem-se seguros para afirmar – enquanto apresentam os aumentos de lucros dos seus bancos graças aos juros agiotas que todos pagamos – que nós, o povaréu, aguentaremos tudo o que nos for imposto pela Santa Aliança do Poder Financeiro e do Poder Partidário instalado. Falo de Fernando Ulrich e de outros como ele, falo do: Aguentam? Ai aguentam, aguentam…
Ulrich fez as afirmações que fez suportado na História recente de Portugal, da Grécia, de Espanha e de outros países, e que prova que o cidadão tem tido o comportamento de um gato doméstico, muito zangado e com cara de independente num primeiro momento, mas que corre para o seu colo na próxima campanha eleitoral onde lhe seja oferecido um aquecedor e a promessa que este permanecerá ligado eternamente. Como um gato doméstico, o cidadão tem dado uma arranhadela aqui e ali mas nunca fará realmente mal aos seus donos convicto que sem eles não é nada.
Mas houve um povo não domesticado que não aguentou e disse basta, falo obviamente dos Islandeses, que viram os tribunais internacionais darem razão ao resultado do referendo em que todo um povo, mais de 90%, disse que se recusava a pagar com os seus impostos as dívidas de um negócio entre privados: bancos e investidores.
Acredito que a via referendária para este tipo de questões pode ser a nova “Revolução Francesa”, também então a Europa não sacudiu toda de imediato após este acontecimento, mas o exemplo dos Cidadãos de França deixou tal fama entre os povos que o velho continente nunca mais ficou como antes.
Ao nível local, na minha terra, o Cartaxo, também um referendo travou a privatização por 30 anos do espaço público, 90% foram contra e quero crer que um outro referendo acabará de vez com o “negócio da água” que tanto mal tem feito ao Cartaxo. Num referendo não há intermediários manhosos, somos nós que damos a nossa opinião directamente, sem representantes.
Olhemos para a Islândia e para a nossa recente história local e é aí que encontramos a ferramenta democrática e ao mesmo tempo revolucionária que travará traidores e agiotas, é por via de referendos que os povos se podem defender e travar a partidocracia podre sustentada por um poder financeiro cego, insensível e corrupto.
Pedro Mendonça































