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Procurar um palito no palheiro!

nelson lopes

Portugal segue há quase um mês a novela do “palito” de Valado dos Azeites, Trevões, no distrito de Viseu. O homem que matou a tiro duas mulheres e feriu mais duas é o mais procurado do país. O “palito”, uma das alcunhas do homicida, por ser um homem muito magro, anda armado e já manifestou vontade de fazer mais vítimas.

O foragido, que começou por inventar um cancro em fase terminal, tem enganado dezenas de profissionais das várias autoridades envolvidas nas buscas. GNR, a pé e a cavalo, com e sem cães de apoio, Polícia Judiciária e militares das forças armadas.

Até tivemos, a estrela da companhia, o drone, avião não tripulado que permite uma visão aérea das zonas em observação através de câmaras e detetores de calor. Todos estes meios conferem à pacata região das beiras um cenário próprio de um país em guerra.

O palito parece andar a brincar às escondidas. De quando em vez há uns alertas para a sua presença, novas pistas, mas até ao momento, em vão. Afinal não é fácil encontrar um palito numa serra, como não é fácil encontrar uma agulha num palheiro. Mas as autoridades alimentam este jogo e as buscas têm horários definidos e divulgados. Ao “palito” basta ter um rádio a pilhas para ter toda a informação de que precisa. O homem deve sentir-se um valentão. Fez mais capas do Correio da Manhã que o Ronaldo nas últimas semanas.

Se o palito fosse um terrorista já teria provocado novas tragédias. Será que Portugal é tão seguro quanto pensamos? Será que estamos tão bem preparados como nos garantem?

Ao mesmo tempo que dezenas de militares e viaturas da GNR procuram o palito, na região do Ribatejo há postos da GNR sem viaturas de serviço, outros com militares que asseguram apenas os serviços mínimos. Nos últimos meses testemunhei várias situações onde foi evidente a falta de meios humanos e logísticos da GNR. Os militares são poucos e os que estão sofrem duma compreensível desmotivação. Perderam direitos e rendimentos e viram crescer o grau de exigência e de responsabilidade. Estão cansados de perseguir e deter indivíduos que o Tribunal se apressa a libertar com base num código penal que não está adaptado à realidade da sociedade portuguesa.

Enquanto dezenas de militares da GNR e agentes da PJ, procuram o palito, há centenas de meliantes que aperfeiçoam as suas técnicas aterrorizando idosos, crianças e mulheres que são vítimas de assaltos onde se agride até à morte para obter 20 ou 30 euros.

Os políticos tentam convencer-nos que vivemos num Portugal seguro com base nos dados da criminalidade que têm por base as queixas apresentadas. O problema é que muitas vítimas não oficializaram as queixas para evitar perdas de tempo, chatices e custos porque a justiça é lenta, complicada, muito cara e não protege os denunciantes.

Nelson Silva Lopes

*Técnico de Comunicação

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