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Assédio moral no trabalho!

NELSON LOPES, Eleito na Assembleia Municipal de Benavente

A conjuntura em que vivemos tem acentuado um fenómeno antigo- o assédio moral no trabalho. Por razões académicas, tenho-me debruçado sobre esta matéria nos últimos meses e numa investigação simples encontrei uma mão cheia de casos de puro assédio moral em contexto profissional. Vou partilhar convosco alguns casos práticos:

Um gestor de uma imobiliária exige à secretária que o acompanhe nas frequentes deslocações no território nacional e na Europa com o pretexto de que não domina o inglês, francês e espanhol e precisa de alguém que faça as traduções. Numa das deslocações, o empresário exigiu que a colaboradora o acompanhasse num encontro de negócios num bar de alterne sem a informar previamente sobre tão invulgar escolha. Ao aperceber-se do ambiente, pouco propício para os negócios imobiliários, a secretária abandonou o local. Desesperada e regressou ao hotel. Horas depois recebeu uma mensagem no telemóvel a dizer que seria dispensada. Foi despedida por justa causa por quebra de lealdade para com a entidade patronal. O caso está no Tribunal do Trabalho.

Marie-France Hirigoyen, psiquiatra francesa que se debruça sobre esta matéria com particular empenho, refere que: “O assédio moral no trabalho define-se como sendo qualquer comportamento abusivo (gesto, palavra, comportamento, atitude…) que atente, pela sua repetição ou pela sua sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa pondo em perigo o seu emprego ou degradando o clima de trabalho”.

Esta definição encaixa em pleno numa nova moda que encontrei em várias organizações onde é usada uma aplicação informática, ou simples relatórios diários no outlook, que permitem que todos os colaboradores tenham acesso ao que cada colega está a fazer no momento. Se o objetivo é a partilha para melhorar a produtividade e os resultados da organização, ou se pretende estimular alguma competição interna que desperte o mérito individual, ótimo.

A fava no bolo-rei é que a aplicação tem um item partilhado apenas com o patrão onde cada colaborador é estimulado a comentar o desempenho do seu colega. É aqui que a porca torce o rabo, a competição doentia leva os mais medíocres e os mais inseguros, a usarem as estratégias mais humilhantes para denegrir os colegas com maior potencial. O patrão (seria abusivo escrever administrador, gestor ou líder) esfrega as mãos de contente porque com a estratégia do dividir para reinar matou o espírito de grupo e os colaboradores perderam capacidade de negociação. Até aceitam em silêncio os atrasos no pagamento dos salários e a retirada de direitos adquiridos.

Esquece-se o patrão, que a empresa é a mais lesada porque uma equipa dividida, onde reina a desconfiança e impera o assédio moral, não funciona e a produtividade vai ressentir-se.  

O assédio moral também está presente numa pastelaria que com a justificação da quebra de receitas, ameaçou fechar as portas e despedir todos os funcionários no final do ano. No jantar de Natal dos colaboradores, a administração veio dizer que tinha uma prenda para os funcionários, a pastelaria iria continuar a funcionar, mas…os trabalhadores do quadro teriam uma redução salarial de 20% e os contratados a prazo, viriam o seu salário reduzido a metade. Para quem auferia 475 euros, a maioria, o patrão dava um bónus e a redução ficaria pelos 350 euros mensais (uma cláusula de salvaguarda). Para surpresa minha, todos os colaboradores aceitaram e comprometeram-se com um pacto de silêncio que foi desfeito no primeiro dia de trabalho nas novas condições, 2 de janeiro de 2013.

Por último, uma nota negativa, para uma autarca que colocou uma técnica superior  num estaleiro municipal e sem tarefas distribuídas, depois de ter lido um comentário no facebook pessoal da colaboradora onde eram criticadas opções seguidas pela câmara na fixação da taxa do IMI a aplicar. Não foi em Marrocos ou na Coreia do Norte, foi neste nosso Ribatejo onde a citada autarca se procura evidenciar como um paladino da democracia. Só não revelo o nome porque assumi esse compromisso com a denunciante e ao fazê-lo iria abri caminho para um reforço do assédio moral.

Nelson Lopes

Eleito na Assembleia Municipal de Benavente 

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