O Papa Francisco batizou ontem um menino filho de uma mãe solteira e uma menina filha de pais que não eram casados pela Igreja.
Os batizados na Capela Sistina costumam ser apenas para filhos dos funcionários do Vaticano, mas Francisco abriu mais uma exceção que deve passar a fazer doutrina, pondo fim a um longo período que descriminou milhares de crianças.
A mãe solteira escreveu ao Papa, contando a sua estória de vida. Confessou que esteve para abortar, mas decidiu avançar contra a vontade de todos, mas em nome da vida do filho. “Têm o dever de transmitir a fé estas crianças, é a mais bela herança que podem dar-lhes”, disse o Sumo Pontífice dirigindo-se aos pais.
Na minha Paróquia, em Samora Correia, os padres recusavam-se a batizar crianças filhas de pais solteiros, divorciados ou casados apenas no civil.
Que culpa têm estas crianças das opções dos pais. Não terão o mesmo direito das outras crianças? O direito de serem encaminhados na sua fé, se for essa a vontade dos pais.
A Igreja em Portugal abusa do poder que lhe foi conferido e , por vezes, tem atitudes discriminatórias para com os seus fiéis. Em todas as paróquias, há um grupo de paroquianos que pela sua dedicação e assiduidade, adquiriu um estatuto de supremacia que lhes confere o direito de excluir, criar leis e impor regras que contrariam o espírito de missão que Jesus nos transmite.
A Igreja é a Casa de Deus. Deve ser uma porta aberta para todos. Acolher todos com o mesmo sorriso, independentemente da marca da roupa que vestem, do automóvel que os transportou ou do estatuto social que têm. Não se pode transformar a Igreja numa montra de vaidades, onde se vai ao Domingo pedir perdão por todos os pecados acumulados ao longo da semana.
Recordo-me que quando casei, não me foi autorizado decorar a Igreja com as flores que pretendia porque as zeladoras da Igreja não gostavam. E foram as senhoras que escolheram com o seu refinado gosto. Eu apenas paguei.
Recentemente, o Senhor Padre recusou dizer que a missa dominical era por intenção de um falecido porque aos domingos só se fazem casamentos e batizados. A minha do 7º dia teria de ser antecipada ou adiada porque quem manda é o Senhor Padre, ainda que outras paróquias se façam missas por intenção de falecidos durante a homilia dominical.
A ideia que fica é que cada paróquia é uma espécie de quinta em que o feitor manda. E quem não gostar não vá à Igreja, como me sugeriram duas beatas quando lhes pedi esclarecimentos.
Confesso que acatei a sugestão. Podemos dialogar com Deus sem intermediários e sem correr o risco da mensagem chegar distorcida.
Tenho esperança, que com a chegada do Papa Francisco, se abra um novo ciclo que permita à Igreja alargar horizontes e abrir-se ao mundo.
A Igreja pode e deve fazer mais por todos, independentemente da sua raça, credo, religião ou condição social.
Servir, Servir, Servir…eis a palavra de ordem.
Nelson Silva Lopes
Técnico de Comunicação




























