Março de 2013 será sem dúvida um mês marcante para Santarém, pela lamentável saída da Fábrica de cervejas da UNICER, referência de uma cidade que nunca conseguiu captar investimentos e pela eventual resignação do actual presidente da câmara.
Se da primeira nada podemos dizer, a não ser sentir pena, porque se trata de um acto de gestão privado com o qual nada temos que ver, do segundo, podemos dizer tudo e sentir alegria por ver partir quem nada de bom deixou por estas bandas.
De facto, uns anos depois da “moitomania” que dominou esta cidade, o que nos fica?
Das promessas não cumpridas, nem escrevo porque levaria muitas horas, mas dos actos é simples enumerá-los:
Dívida e mais dívida que se estenderá por muitos anos, dois jardins duvidosamente “recuperados”, uma avenida que não serve coisa nenhuma, um parque de estacionamento que apenas serve interesses privados e uma praça com estátuas de dezenas de milhares de euros e gosto duvidoso, que nos fará lembrar para sempre quem não nos deixa saudades.
Claro que temos também uns pórticos horríveis, pirosos e desenquadrados nas entradas da cidade, mas desses nem vale a pena falar porque nem a história falará deles quando o bom senso voltar a imperar e forem retirados.
Ainda me lembro de ter recebido com um sorriso desconfiado a promessa de pagar em 100 dias as dívidas às empresas. Claro que também lembro as palavras revoltadas e sentidas do presidente, clamando a injustiça das dívidas e o sufoco das empresas. Pateticamente ainda hoje se lhe ouvem essas palavras bonitas, travestidas de uma ignóbil hipocrisia, quando fala nas dívidas esquecendo os “vadios” a quem a câmara deve ou devia dinheiro.
E o que dizer do seu ar revoltado quando espectacularmente “descobriu” a estátua de Salgueiro Maia (que possivelmente nem sabia que existia) guardada no armazém da câmara? Magoado e horrorizado gritou por justiça; Uma estátua de ferro em cima de uma palete de madeira, como se houvesse outra maneira de a guardar, enquanto não é reposta no lugar. Um ultraje ao homem com quem nunca conviveu, que possivelmente nunca conheceu. Mas “descobriu-lhe” a estátua. “Ensinou-nos” que uma estátua não é símbolo só depois de exposta, que mesmo num armazém, protegida de eventuais danos, deveria ter coroas de flores, como se de um mausoléu se tratasse.
Esqueceu-se que esta cidade é grata a Salgueiro Maia e o considera um filho da terra. É grata ao homem que conheceu e aos símbolos que defendia, mas avessa ao oportunismo que ele sempre combateu e a que nunca se submetia!
Também não esquecerei a má educação e o palavreado brejeiro com que defrontou os adversários políticos, com que brindou os críticos.
Ficámos a saber que é maçom. Aliás, ficámos a saber que assumiu agora que tinha assumido à 20 anos que era maçom, que se identificava com os valores da liberdade, da solidariedade, da fraternidade e desses chavões que gostam muito de apregoar e nada de cumprir. Só não nos explicou como tão poucos maçons ocupam tantos lugares de “controlo” na sociedade, cargos políticos, direcção de empresas, de serviços públicos etc. A probabilidade de isso acontecer naturalmente, é tão grande como Timor Leste ter os 11 melhores jogadores de futebol do planeta.
Mais recentemente também nos informou que ficaria a meio tempo na autarquia. Isso sim, são más notícias para a cidade. Como não me acredito que alguma vez estivesse na autarquia a um quarto do tempo… se agora vai ficar a meio tempo significa que a possibilidade de as coisas piorarem é muito maior.
Resta-nos esperar por Março de 2013, data em que deverá abandonar a autarquia. Quem sabe, nessa altura já nos possamos banhar na praia fluvial do Tejo, divertirmo-nos na feira do Ribatejo reinventada, ver os cavalos do cluster do cavalo a correr na lezíria, a cidade judiciária na ex Escola Prática de Cavalaria, o hotel no ex Presídio Militar, ver as ruínas do “hotel do cnema” transformadas em qualquer coisa útil, o centro histórico recuperado de 6 anos de desleixo, incúria e abandono, o café Central a servir novamente aquele belo bife à central, ver as ilusões com que periodicamente nos foi brindando e que nunca passaram disso mesmo: Ilusões para pacóvio comer.
Oxalá estes tempos de obscurantismo libertário e modernista sirvam de exemplo a todos os que acreditam que as figuras públicas fazem milagres só pelo facto de o serem. Que as palavras poéticas são lei, que embarcar na demagogia populista não é embarcar num navio condenado ao afundanço.
As cidades merecem ser governadas por quem as vive, por quem as sente, por quem as quer servir e não servir-se delas. Não devem ser governadas por pára-quedistas com afinidades inventadas, tipo “tive uma professora que era cá da terra”. Por quem pensa que Santarém, a 75 km de Lisboa, é uma cidade de província que se compra com touradas, vinho tinto e musica pimba.
Para não dizerem que só digo mal, destaco como pontos “positivos” deste mandato que, infelizmente, ainda não terminou; o concerto de José Carreras e as centenas de milhares de euros gastos, o 10 de Junho e os milhões de euros que custou, as 7 maravilhas da gastronomia que promoveram tudo menos Santarém (mais uns milhares gastos), as empresas municipais que permitiram empregar (muito bem) uns “boys” e nada de útil fizeram. Claro que também é de louvar o estado de abandono a que a cidade foi submetida para além dos espaços nobres (portas do sol, jardim da república e jardim da liberdade).
Foram também “positivas” as “promessas” de trabalho aos agentes culturais e desportivos, que a troco de pensarem que Santarém seria a Hollywood de Portugal, o apoiaram e como prémio tiveram o estrangulamento financeiro das suas organizações… e agora o corte radical dos apoios monetários que as mantinham vivas e actuantes.Não podemos dizer que foi tudo mau… algumas coisas foram péssimas.
Como em tempos Edmund Burke disse, para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados. Ésta foi a história da oposição na Câmara de Santarém: nos dois mandatos, inexistente, amedrontada, conivente qb. Tal como aqueles a quem se deveriam ter oposto, não merecem os votos e a confiança neles depositada. Espero que não os voltem a ter!
José Freitas
Empresário




























