Já falta menos de um ano para as Eleições Autárquicas de 2017. Com a obrigatoriedade de se realizar este acto eleitoral entre meados de Setembro e meados de Outubro, é muito provável que por esta altura, no próximo ano, já tenhamos novos executivos em funções.
Ao olhar para este calendário eleitoral, começam a ser cada vez mais evidentes as estratégias que as forças políticas colocam no terreno autárquico. Se uns estão mais adiantados e outros, aparentemente, mais atrasados, também é verdade que quem tem a responsabilidade de pôr em marcha o processo autárquico, nos vários concelhos, já começou a contar as semanas que faltam para a concretização do acto. E esses não esquecem que até lá sobram pouco mais de 40 semanas, se subtrairmos as tradicionais paragens das campanhas ou das pré-campanhas pelos períodos das festas e das férias.
“As eleições não se ganham, perdem-se”. Esta é uma daquelas velhas máximas dos manuais de “ciência” política, que vai sendo comprovada de quatro em quatro anos, com honrosas excepções que, como é óbvio, apenas confirmam a regra.
O distrito de Santarém conta com 21 municípios, dos quais 14 são governados por maiorias absolutas e 7 são geridos por executivos minoritários. Temos 13 câmaras do PS, 4 câmaras do PSD, 3 câmaras do PCP e uma câmara gerida por uma coligação entre o PSD e o CDS. Historicamente é também possível registar que, de 1976 até à presente data, temos 3 concelhos que elegeram sempre presidentes de câmara do mesmo partido: Cartaxo-PS, Ferreira do Zêzere-PSD e Mação-PSD.
Perante este cenário distrital, que historicamente tem estado sempre mais inclinado para o lado socialista, e se acreditarmos que as eleições não se ganham, apenas será suposto termos algum grau de incerteza, em relação aos resultados finais, nos sete municípios que não estão sob gestão de uma maioria absoluta (Cartaxo-PS, Chamusca-PS, Golegã-PS, Ourém-PS, Salvaterra de Magos-PS, Santarém-PSD e Tomar-PS).
É por tudo isto que, tendo em conta a dimensão eleitoral, mas também a importância que alguns municípios têm no contexto estratégico distrital, se advinham grandes batalhas políticas nos concelhos de Ourém, Santarém e Tomar. Estes deverão ser os municípios que, provavelmente, irão concentrar o maior esforço das máquinas partidárias, principalmente do PS e do PSD.
É sobre estas três autarquias, duas das quais têm presidentes socialistas e uma tem um autarca social democrata, que tudo irá girar. Eu sei que estes três concelhos têm e vivem realidades bem diferentes, mas acredito que será possível ao PSD voltar a ganhar a Câmara de Santarém e destronar o PS dos municípios de Ourém e Tomar.
Para que este meu prognóstico se confirme é preciso que vários factores se conjuguem. O primeiro e mais importante tem a ver com o trabalho realizado nos últimos 2 anos antes das eleições, quer pelo poder, quer pelas oposições. No segundo factor encontramos a esperança que os eleitores depositam nos candidatos da situação ou da oposição. Por último, o terceiro factor que é, em muitos casos, o mais importante, senão mesmo o factor determinante, para a manutenção das governações autárquicas. Este critério é tão antigo quanto a existência de representantes e representados e resume-se a uma equação bem simples: multiplicar por 3, ou por 4, o número de funcionários de uma autarquia. O resultado desta conta dá, em número aproximado, a diferença que qualquer oposição terá que anular caso queira ter hipóteses de disputar uma eleição numa câmara municipal.
Para anular esta diferença, quase natural, as oposições viram-se muitas vezes para um cada vez mais largo sector da população: os crónicos abstencionistas. São eles, em muitos casos, que invertem as disputas eleitorais a favor das oposições.
Saber como é que se chega aos que nunca aparecem, eleição após eleição, é cada vez mais parecido à busca do Santo Graal. Pode ser que no próximo ano, fruto das cada vez maiores exigências financeiras que o fisco coloca, os eleitores/pagadores, também chamados contribuintes, queiram fazer uma pergunta simples: Qual éo retorno que a minha autarquia me dá das receitas que arrecada?
Talvez confrontados com o grau de satisfação, ou insatisfação, na resposta à pergunta anterior, os cerca de 185 mil abstencionistas do distrito de Santarém nas eleições de 2013 decidam entrar no jogo dos votos (votaram cerca de 214 mil eleitores) e deitar por terra as certezas que muitos já têm sobre os resultados finais.
É que os abstencionistas podem fazer mesmo a diferença e estas são, sem qualquer dúvida, as melhores eleições para chamar às urnas os que não se ralam, os que apenas dizem mal, os que fogem de qualquer envolvimento político…
As Eleições Autárquicas de 2107 são um bom pretexto para que os políticos cheguem um pouco mais perto de todos aqueles que acham que os problemas são sempre dos outros.
Aguardemos então pelas novidades que os candidatos a autarcas de 2017 vão introduzir na próxima campanha eleitoral. Eu também vou ficar à espera e considerarei como um bom princípio se os níveis da abstenção baixarem.
Jorge Nogueira




























