Nuno Antão

nuno1Haja coragem para acabar com o IMI e com hipocrisia das lições presidenciais.

Sem esquecer o compromisso assumido em fevereiro de desenvolver três temas que entendo essenciais serem debatidos na campanha eleitoral para as Legislativas 2015, centro-me primeiro em dois temas quentes da agenda política, o fim da cláusula de salvaguarda do aumento do imposto municipal sobre imóveis e o prefácio de Cavaco Silva no “Roteiro IX”.

Mais uma vez a maioria de direita demonstra toda a sua insensibilidade social (depois de terem recusado o fim das penhoras de casas por dividas de menor gravidade) e não hesita em espezinhar mais uma vez os portugueses, há quem aguente tudo isto? Qual é a motivação de vida de um trabalhador português quando praticamente todo o seu rendimento vai para impostos, taxas e taxinhas? Como aguentam mais de um milhão de portugueses sem emprego, esta política de “custe o que custar” na arrecadação de receita? De que vale ter um país que “está melhor” quando os portugueses vivem cada vez pior?

Espero, sinceramente, que haja coragem de acabar com o IMI para a habitação própria, não podemos continuar castigar portugueses apenas porque tiveram o sonho de ter uma casa própria. Muito menos os podemos subcarregar com um imposto que tem por base um valor patrimonial completamente desajustado da realidade do mercado.

Só a natureza pacífica deste povo não nos faz prever o pior, mas esta passividade não pode ser estendida à participação eleitoral, compete à esquerda motivar, dar esperança e confiança aos portugueses. Sabendo que a fronteira entre o compromisso e a demagogia e muito ténue, mais do que construir um bom programa eleitoral é preciso demonstrar que há prioridades, que a salvaguarda de direitos essenciais será garantida. Só arriscando nos compromissos, obviamente assumindo também as consequências do falhanço, as pessoas encontrarão a vontade e motivação para participar. A melhor lição que os portugueses darão ao desgoverno do país é participarem massivamente nas eleições, como há muito não o fazem, só um resultado semelhante ou superior ao das primeiras eleições livres “assustará” os candidatos e as organizações nacionais e internacionais e os colocará novamente na rota da defesa dos interesses coletivos, primeiro dos mais desfavorecidos e depois de uma devastada classe média.

Sem as condições mínimas para o fazer Cavaco Silva entende hoje dar-nos mais uma lição sobre o papel do Presidente da República e até ousa apontar critérios para o seu sucessor. Mesma sabendo que o recado é para Pedro Santana Lopes, Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio abrindo assim caminho para Durão Barroso, Cavaco Silva não tem legitimidade e muito menos serve de referência pelo exemplo, e não o tem porque os portugueses não se reconhecem no exercício dos seus mandatos e ainda porque parte do auto elogio. O Presidente da República que os portugueses precisam apenas precisa de ter duas características, sensibilidade social e não ter medo de enfrentar as pessoas.

Na certeza que é irrelevante as minhas preferências para o cargo, António Guterres seria o melhor Presidente que teríamos depois do 25 de Abril, Jorge Sampaio ainda tem condições para ser novamente Presidente e não querendo um e outro, talvez Carvalho da Silva fosse um bom abanão para um sistema que não conseguindo criar nenhum Syrisa ou Podemos e muito menos, felizmente, uma Front National teria nele um contrapeso e alavanca para o normal funcionamento da democracia.

PS - Como não podia deixar de ser, fica o convite e o desafio a visitarem o Concelho de Salvaterra de Magos durante o Mês da Enguia, para além da gastronomia em si, há um vasto leque de atividades que vos deixarão com toda a certeza satisfeitos com o dia aqui passado.