PUB

chamusca covid continua

PUB

banner cms juntos

Elvira Tristão

elvira tristaoSe somos todos Charlie na defesa do valor maior da LIBERDADE. Que saibamos ser todos Syriza na defesa da IGUALDADE e da FRATERNIDADE.

Na passagem de ano festejamos o novo ano e formulamos votos de bom ano novo. E estes rituais de esperança repetem-se, pelo menos, até metade do mês de janeiro. Assim, associo-me a estes rituais de esperança desejando a todos os leitores da Rede Regional um 2015 melhor do que o ano que terminou há duas semanas.

Apesar desse desejo colectivo de que tudo melhore, a dura realidade parece não querer fazer-nos a vontade. Custa não ver. Por mais que viremos a cara para o lado, por mais que nos foquemos no lado bom da vida, a triste realidade do país invade-nos o quotidiano.

Nos hospitais, médicos e enfermeiros não têm meios a medir e começam a repetir-se notícias de doentes que morrem à espera de ser assistidos. O Estado não autoriza as administrações dos hospitais a contratar enfermeiros e médicos, que emigram depois do investimento do país na sua formação. Em alternativa, autoriza a realização de concursos a empresas de recursos humanos – os negreiros do século XXI – para contratação de profissionais. Esses ficam desertos, como deserto ficará o país quando todos forem forçados à diáspora. Ficarão só os pobres velhos e as crianças pobres.

Nas escolas, os meninos levam mantas para tapar as pernas enquanto tentam aprender nas salas geladas das nossas salas de aula. Muitos, para além do frio, têm fome. Chegam de estômago vazio, valendo-lhes os apoios sociais: leite e pão, a meio da manhã, uma refeição quente a meio do dia, por vezes, a única. Alguns, têm o horário lectivo reforçado e aprendem a “mata cavalos” (aprendem?) para os exames que os hão-de hierarquizar na escola social. Estes são principalmente os alunos das escolas TEIP (Territórios de Intervenção Prioritária) situadas em zonas urbanas de vulnerabilidade social. É nestas escolas – e noutras, cada vez em mais – que os refeitórios começam a funcionar em período de pausas letivas para matar a fome, nas férias.

Nos jornais, ficamos a saber: Que a justiça afinal funciona (funciona?). Que as mesmas negociatas de submarinos que condenaram na Alemanha e na Grécia, por cá, foram arquivadas. Que os bancos, cujos CEO andaram anos a enganar o Banco de Portugal e os portugueses, foram resgatados pelos contribuintes portugueses. Que as empresas públicas, estratégicas para a soberania nacional e, acima de tudo, capazes de gerar riqueza se fossem bem geridas, são privatizadas ao desbarato depois de terem sido desbaratadas por ultraliberais ao serviço das Goldman Sachs desta vida.

Nas televisões é-nos dito que, afinal, este ano não haverá nuvens negras a pairar sobre os portugueses. Que a economia cresce. Que o desemprego diminuiu.

Na educação, as nuvens passaram de negras a azul celeste. Ficamos a saber que vamos ter professores excelentes, porque os que trabalharam menos de cinco anos vão fazer uma prova de cultura geral. Que os alunos portugueses vão aprender mais porque têm de se esforçar para os exames. Que a competição entre escolas é boa para a qualidade e para a excelência da educação. E que excelentes vão ser os nossos alunos a inglês logo que passem a ter as aprendizagens acreditadas pela Cambridge!. Ironizo, claro!

E, entretanto, no interregno desta escrita, a barbárie que ameaça a liberdade, pelo medo e pelo terror, desaba no mundo global. De repente, mata-se, a soldo. Assassinos insanos, financiados pelo mercado negro global da droga, das armas, e sabe-se lá mais de quê, matam, a sangue frio e à queima-roupa, cartoonistas e jornalistas cuja liberdade foi a de fazer pensar para lá dos limites do politicamente correto. Cada vez mais necessários neste mundo das hipocrisias organizadas e dos falsos consensos que nos impõem um único pensamento, uma única via. Sem alternativa (será?).

Não sei se somos todos Charlies. Tenho dúvidas. Mas cada um de nós tem obrigação de exigir um mundo mais decente. Como cidadãos do mundo – nós que iniciámos a circum-navegação e inventámos a diáspora -, temos obrigação de pensar e agir GLONACALmente: pensar global; agir nacional e localmente para influenciar o global.

Termino este texto enquanto deito o olho à notícia do Expresso on-line sobre a proposta do Syriza para a realização de uma conferência conjunta sobre a dívida pública, com Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha. Não posso deixar de me sentir Syriza. Se somos todos Charlie na defesa do valor maior da LIBERDADE. Que saibamos ser todos Syriza na defesa da IGUALDADE e da FRATERNIDADE. O berço da civilização humanista não pode ficar hipnotizado pelos desfiles da hierarquia organizada internacional enquanto se assiste impavidamente às austeridades dos egoísmos nacionais e das liberdades dos mercados. A Europa precisa rapidamente de inverter políticas de competitividade assentes em egoísmos nacionais e na alta finança dos off-shores e dos acordos secretos com as multinacionais e os capitais anónimos. Afinal, queremos ou não saber quem financia a barbárie e quem acumula capital anónimo à custa da dívida pública e do empobrecimento dos cidadãos? Se nos resignarmos capitularemos. Ao terror dos assassinos ou ao dos mercados. Tem de haver alternativa.



banner fiqueemcasa

 

PUB

PUB

PUB

Scalhidraulica

PUB

promo almeirim1

Quem está Online?

Temos 895 visitantes e 0 membros em linha