PUB

chamusca covid responsavel

PUB

banner cms escola

JOSÉ FREITAS, empresário

Março de 2013 será sem dúvida um mês marcante para Santarém, pela lamentável saída da Fábrica de cervejas da UNICER, referência de uma cidade que nunca conseguiu captar investimentos e pela eventual resignação do actual presidente da câmara.

Se da primeira nada podemos dizer, a não ser sentir pena, porque se trata de um acto de gestão privado com o qual nada temos que ver, do segundo, podemos dizer tudo e sentir alegria por ver partir quem nada de bom deixou por estas bandas.

De facto, uns anos depois da “moitomania” que dominou esta cidade, o que nos fica?

Das promessas não cumpridas, nem escrevo porque levaria muitas horas, mas dos actos é simples enumerá-los:

Dívida e mais dívida que se estenderá por muitos anos, dois jardins duvidosamente “recuperados”, uma avenida que não serve coisa nenhuma, um parque de estacionamento que apenas serve interesses privados e uma praça com estátuas de dezenas de milhares de euros e gosto duvidoso, que nos fará lembrar para sempre quem não nos deixa saudades.

Claro que temos também uns pórticos horríveis, pirosos e desenquadrados nas entradas da cidade, mas desses nem vale a pena falar porque nem a história falará deles quando o bom senso voltar a imperar e forem retirados.

Ainda me lembro de ter recebido com um sorriso desconfiado a promessa de pagar em 100 dias as dívidas às empresas. Claro que também lembro as palavras revoltadas e sentidas do presidente, clamando a injustiça das dívidas e o sufoco das empresas. Pateticamente ainda hoje se lhe ouvem essas palavras bonitas, travestidas de uma ignóbil hipocrisia, quando fala nas dívidas esquecendo os “vadios” a quem a câmara deve ou devia dinheiro.

E o que dizer do seu ar revoltado quando espectacularmente “descobriu” a estátua de Salgueiro Maia (que possivelmente nem sabia que existia) guardada no armazém da câmara? Magoado e horrorizado gritou por justiça; Uma estátua de ferro em cima de uma palete de madeira, como se houvesse outra maneira de a guardar, enquanto não é reposta no lugar. Um ultraje ao homem com quem nunca conviveu, que possivelmente nunca conheceu. Mas “descobriu-lhe” a estátua. “Ensinou-nos” que uma estátua não é símbolo só depois de exposta, que mesmo num armazém, protegida de eventuais danos, deveria ter coroas de flores, como se de um mausoléu se tratasse.

Esqueceu-se que esta cidade é grata a Salgueiro Maia e o considera um filho da terra. É grata ao homem que conheceu e aos símbolos que defendia, mas avessa ao oportunismo que ele sempre combateu e a que nunca se submetia!

Também não esquecerei a má educação e o palavreado brejeiro com que defrontou os adversários políticos, com que brindou os críticos.

Ficámos a saber que é maçom. Aliás, ficámos a saber que assumiu agora que tinha assumido à 20 anos que era maçom, que se identificava com os valores da liberdade, da solidariedade, da fraternidade e desses chavões que gostam muito de apregoar e nada de cumprir. Só não nos explicou como tão poucos maçons ocupam tantos lugares de “controlo” na sociedade, cargos políticos, direcção de empresas, de serviços públicos etc. A probabilidade de isso acontecer naturalmente, é tão grande como Timor Leste ter os 11 melhores jogadores de futebol do planeta.

Mais recentemente também nos informou que ficaria a meio tempo na autarquia. Isso sim, são más notícias para a cidade. Como não me acredito que alguma vez estivesse na autarquia a um quarto do tempo… se agora vai ficar a meio tempo significa que a possibilidade de as coisas piorarem é muito maior.

Resta-nos esperar por Março de 2013, data em que deverá abandonar a autarquia. Quem sabe, nessa altura já nos possamos banhar na praia fluvial do Tejo, divertirmo-nos na feira do Ribatejo reinventada, ver os cavalos do cluster do cavalo a correr na lezíria, a cidade judiciária na ex Escola Prática de Cavalaria, o hotel no ex Presídio Militar, ver as ruínas do “hotel do cnema”  transformadas em qualquer coisa útil, o centro histórico recuperado de 6 anos de desleixo, incúria e abandono, o café Central a servir novamente aquele belo bife à central, ver as ilusões com que periodicamente nos foi brindando e que nunca passaram disso mesmo: Ilusões para pacóvio comer.

Oxalá estes tempos de obscurantismo libertário e modernista sirvam de exemplo a todos os que acreditam que as figuras públicas fazem milagres só pelo facto de o serem. Que as palavras poéticas são lei, que embarcar na demagogia populista não é embarcar num navio condenado ao afundanço.

As cidades merecem ser governadas por quem as vive, por quem as sente, por quem as quer servir e não servir-se delas. Não devem ser governadas por pára-quedistas com afinidades inventadas, tipo “tive uma professora que era cá da terra”. Por quem pensa que Santarém, a 75 km de Lisboa, é uma cidade de província que se compra com touradas, vinho tinto e musica pimba.

Para não dizerem que só digo mal, destaco como pontos “positivos” deste mandato que, infelizmente, ainda não terminou; o concerto de José Carreras e as centenas de milhares de euros gastos, o 10 de Junho e os milhões de euros que custou, as 7 maravilhas da gastronomia que promoveram tudo menos Santarém (mais uns milhares gastos), as empresas municipais que permitiram empregar (muito bem) uns “boys” e nada de útil fizeram. Claro que também é de louvar o estado de abandono a que a cidade foi submetida para além dos espaços nobres (portas do sol, jardim da república e jardim da liberdade).

Foram também "positivas" as "promessas" de trabalho aos agentes culturais e desportivos, que a troco de pensarem que Santarém seria a Hollywood de Portugal, o apoiaram e como prémio tiveram o estrangulamento financeiro das suas organizações... e agora o corte radical dos apoios monetários que as mantinham vivas e actuantes.Não podemos dizer que foi tudo mau… algumas coisas foram péssimas.

Como em tempos Edmund Burke disse, para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados. Ésta foi a história da oposição na Câmara de Santarém: nos dois mandatos, inexistente, amedrontada, conivente qb. Tal como aqueles a quem se deveriam ter oposto, não merecem os votos e a confiança neles depositada. Espero que não os voltem a ter!

 

José Freitas

Empresário



praca maior 01

 

PUB

PUB

Scalhidraulica

PUB

almeirim melao

Quem está Online?

Temos 597 visitantes e 0 membros em linha