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MARCO OLIVEIRA DOMINGOS

“Isto não é um país. É um sítio.
E ainda por cima mal frequentado”. (Almada Negreiros)


Em tempos de sacrifício, contenção e penúria, a Secretaria de Estado da Cultura acaba de nomear um adjunto com um vencimento mensal na ordem dos 6 salários mínimos. Nomeação puramente política de um ex consultor de comunicação do PSD, premiando assim o “boy” de 24 anos pelos excelentes serviços prestados ao… partido.
No mesmo dia em que tomei conhecimento desta nomeação, escutei as palavras de João César das Neves, iluminado economista da nossa praça que defendeu, em entrevista à TSF e ao DN, que o aumento do salário mínimo será “estragar a vida aos pobres”.

Confesso que Economia não é a minha praia, mas acredito que as palavras do professor César das Neves só podem ser proferidas por alguém que vive noutro país. Ou então não conhece a realidade deste. Basta estar atento aos anúncios de emprego e às páginas de recrutamento para perceber que o salário passou a ser apenas um infeliz detalhe em todo o processo de recrutamento. Multiplicam-se as ofertas de emprego através da internet e nas páginas a ele dedicadas. Mas a maior parte dos anúncios destina-se a estágios (por vezes remunerados) ou à contratação em regime de precariedade.

Com o agravar da crise, o aumento do desemprego e o aparecimento de nova mão de obra no mercado de trabalho, é cada vez mais comum encontrar quem “apenas quer um emprego”. O ordenado não é sequer o mais importante. O valor da mão de obra caiu abruptamente nos últimos meses, até para a mão de obra qualificada. As empresa sabem-no e não escondem que é muito atrativo contratar nestas condições. Ainda que à margem das leis e do bom senso, é cada vez mais frequente encontrar pessoas com ordenados entre os 300 e os 400 euros mensais, ou trabalhadores com uma remuneração inferior a 2 euros/hora. E no horizonte não se vislumbram melhoras.

No Brasil o problema ganhou dimensão tal que já se fala em toda uma geração “nem – nem” a emergir. Nem estudam e não trabalham. Um em cada cinco brasileiros entre os 18 e os 25 anos pertence a esta geração. Dramático.

Na mesma entrevista, João César das Neves disse acreditar que “está acontecer algo de bom na sociedade portuguesa, mas que isso não é visível”.
Não podendo partilhar do mesmo optimismo do professor da universidade Católica, admito que Portugal até pode ser um país com boas oportunidades no mercado de trabalho, o problema é que nem todos se podem dar ao luxo de exibir no curriculum um lugar de consultor na Sede da Rua São Caetano. 

Marco Oliveira Domingos

 



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