Gonçalo Gaspar

Com a saída de António Costa da liderança da Câmara Municipal de Lisboa, por considerar que os lisboetas não precisam de um presidente a tempo inteiro - aliás nunca o tiveram - foi inaugurado não o período eleitoral das legislativas mas sim a investida do Partido Socialista para voltar ao poder e à liderança dos destinos do país.

Sim, o que está em jogo nas próximas eleições legislativas é o destino do país!

A liderança de António Costa tem sido desastrosa, mas ao mesmo tempo com alguns rasgos de verdade. Concorreu à liderança do partido porque o seu camarada António José Seguro não “descolava” nas sondagens, imputando-lhe a responsabilidade da não afirmação do Partido Socialista como uma alternativa de poder em Portugal.

De peito feito, enquanto autarca, mandava para o ar, sem ter uma única ideia estruturada, que as autarquias deviam assumir mais poder e competências delegadas pela Administração Central. Pois bem, o Governo já estava a anos-luz do “palpite de algibeira” de Costa, apresentando um modelo com o acordo das autarquias de descentralização de competências em áreas como a educação.

Nos bastidores, Costa fez de tudo para que as autarquias socialistas expressassem o seu desacordo com a transferência de competências, fazendo assim oposição ao Governo. Vendo um microfone à frente e percebendo que não obteve a concordância das autarquias do PS, Costa volta a meter a pata na poça dizendo que afinal concorda com a descentralização, aquilo que não está de acordo é com o modelo. E ponto!

Quando ouço falar em descentralização de competências na área da educação, lembro-me daquela grande cerimónia em que José Sócrates assinava com alguns municípios uma descentralização de competências, deixando a bola sempre do lado das câmaras porque à medida que as competências eram executadas pelos municípios, o consequente envelope financeiro da Administração Central ficava cativo (provavelmente por inexistência de fundos) no Terreiro do Paço.

Pois bem, o atual Governo, na pessoa de António Leitão Amaro (Secretário de Estado da Administração Local), percebendo que muitas das câmaras que assumiram esses encargos em nome do Governo, aumentaram as suas dívidas, regularizou com a brevidade possível estes compromissos assumidos mas não honrados pelos governos de José Sócrates e António Costa.

Afinal que modelo é que António Costa defende? Aquele que não honra compromissos ou de facto, aquele que é rigoroso e que respeita a disponibilidade dos municípios em substituir-se à Administração Central por ter mais competências e conhecimentos para atuar de forma mais eficaz, em determinadas áreas da gestão.

É óbvio que vindo de António Costa e do Partido Socialista, o modelo a seguir seria: ”Faz, depois fica a dever, quem vier a seguir que feche a porta”.

Este é o modelo de governação do Partido Socialista e, pasme-se, António Costa está disponível para voltar a replicar.

Ainda esta semana na apresentação da Agenda para a Década, o Partido Socialista, através de um grupo de trabalho, apresentou um conjunto de propostas que visa serem incluídas no seu programa de governo.

O Partido Socialista faz um conjunto de propostas, demonstrando que o país está a crescer. Logo aqui reside uma contradição entre o que António Costa diz aos holofotes da comunicação social e o que um grupo de “peritos” contratados pelo PS, descrevem e demonstram na apresentação de propostas.

À medida que o documento ia sendo analisado por partidos, associações empresariais, jornalistas e outros agentes representativos da nossa sociedade, a pergunta mais comum que se fazia era: “Há dinheiro para isto?”.

A resposta é: há, até um determinado ponto, depois deixa de haver e o país volta a ser intervencionado. A receita do Partido Socialista é a mesma e o resultado também.

 

Gonçalo Gaspar