Gonçalo Gaspar

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Eis que, com a entrada de um novo ano, várias questões são colocadas. A tendência geral, antes de as colocar, é sempre começar pelos votos tradicionais que todos nós, em particular, enviamos e recebemos, dentro do pacote da saúde, sucessos pessoais e familiares, objetivos profissionais e académicos ou mesmo políticos.

Infelizmente, o pragmatismo e a realidade nem sempre fazem parte das reflexões nos primeiros dias de um novo ano sobre o ano que acaba de findar. 

Pois bem, a análise que podemos fazer ao ano de 2014, sem qualquer preconceito, faciosismo ideológico ou mesmo interesse mediático, é que foi um ano extremamente exigente, chegando quase ao ponto do tudo ou nada.

Os homens e mulheres que se colocaram disponíveis para liderar o Governo de Portugal, numa das piores épocas políticas, deixando para trás, alguns deles, a credibilidade e o conforto que possuíam nas suas áreas profissionais, muitas vezes foi abalada pelo mediatismo que os persegue e pela dureza da missão patriótica que assumiram. Por tal, e de forma muito geral, podem estar de consciência tranquila, pelo caminho que têm trilhado, junto com os portugueses.

Com isto, seria demasiado tolo, não admitir que erros foram cometidos, em alguns casos demasiados erros, mas também como o Zé Povinho diz e bem, “só não erra quem nada faz”. Errar, é acto de alguém que passa por um Governo (e tivemos tantos ao longo das últimas décadas) e não reforma um país, dentro das suas necessidades económicas, sociais e políticas. 

De certo que é muito censurável, política e eticamente, passar por um Governo e não governar a bem de todos os cidadãos do país. Infelizmente, nestes 40 anos de democracia, o que não falta são exemplos destes, da esquerda à direita. Agora imaginem, dentro do quadro negro que aqui vos traço, a existência daqueles que passam pelo Governo só para fazerem e praticarem o mal, munidos de interesses autónomos e corporativos que lesaram em muito o nosso país (vinco: da esquerda à direita). Parem de imaginar, esse cenário nunca mais poderá ser uma realidade, para bem de Portugal e das novas gerações!

Foram três anos de mudança executada muito à custa de um Estado que se encontrava cada vez mais entranhado na economia, não a servindo, mas que bloqueava o seu desenvolvimento por ser tão mal gerido. Três anos onde pela primeira vez foram colocados bem patente as prioridades sociais do nosso país, como salvar o sistema nacional de saúde, a escola pública e a administração pública, acabando com institutos e institutosinhos que nada faziam e que consumiam brutais recursos ao Estado e, consequentemente, do povo.

Os indicadores são muito motivadores, revelam claramente a resposta à dúvida sobre se o caminho que trilhamos juntos e os sacrifícios que todos fizemos, valeram a pena. Reparemos, com atenção, que a taxa de desemprego está a diminuir, a criação de empresas e a oferta de emprego cresce a uma velocidade sustentável, a elevação do índice de confiança dos portugueses é consequência directa do impacto positivo das medidas políticas adoptadas. O momento é claramente de confiança, de afirmação na continuidade, mas sobretudo de esperança.

Para o ano de 2015, é necessário estímulo colectivo para seguir o rumo que nos conduzirá aos objectivos do desenvolvimento e do progresso – progressiva independência face ao exterior; desenvolvimento económico com aumento de criação empresarial e consequente oferta de mais e melhor emprego, que por sua vez levará ao reforço sustentado do estado social.

Alcançados estes objectivos, por certo que haverá melhorias na escola pública, na saúde, na justiça, na ciência e na cultura.

Cabe ao poder político em geral e a este Governo em particular, continuar a criar soluções concretas estruturadas, com sentido reformista progressista, que sirvam para que o ano de 2015 fique marcado como o ano da consagração da convicção colectiva de que tudo valeu a pena.

Devemos todos reflectir, junto das nossas famílias, amigos, longe da campanha e propaganda política que se vai iniciar em poucos meses, se de facto queremos voltar ao passado ou continuar a construir o futuro.    

Gonçalo Gaspar