Nuno Cardigos

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Muito se tem falado por estes dias sobre a reestruturação da empresa municipal Viver Santarém, no que concerne à diminuição do seu quadro de pessoal e das suas competências, no sentido de evitar a sua extinção.

Fazendo uma retrospectiva, uma análise temporal da situação, esta empresa foi constituída em 2012, englobando as três empresas municipais que até a data existiam: SantarémUrbis, Cultur e Scalabisport. O objectivo desta junção, à data, era evitar a extinção das duas primeiras, pois estas não conseguiam cumprir as exigências financeiras da lei. Mas pelos vistos tal não sucedeu, e, penso que esta nova reestruturação peca por tardia.

Senão vejamos: aquando da sua constituição em 2012, a primeira medida a tomar deveria ter sido a implementação de uma politica de redução de custos, incidindo essa redução na diminuição do quadro de funcionários. E, é aqui que eu pergunto: porque é que tal não foi feito na altura sendo apenas implementado passado mais de um ano? Não quero acreditar que nada foi feito por estarmos em vésperas de eleições autárquicas.

Pergunto também: foi feito um algum estudo de viabilidade económica e financeira em 2012, que sustentasse a criação desta nova empresa? Se tal estudo foi feito, seria interessante analisarmos o seu conteúdo. De certeza que o mesmo prevê uma data para a tão falada redução do quadro de pessoal.

Perante tudo o que tem sido veiculado na comunicação social, não se percebeu ainda quais os critérios que estão em cima da mesa no que respeita à mesma redução. Ou seja, quem é ou não imprescindível para continuar como funcionário da empresa numa perspectiva de análise funcional do posto de trabalho. Como é óbvio, esta situação está a provocar uma ansiedade e um mal-estar entre os funcionários da empresa que temem pelos seus postos de trabalho.

Por aqui podemos concluir que era preferível, em 2012, ter tomado uma atitude política impopular na altura, de extinguir as empresas de urbanismo e de cultura, atribuindo algumas competências desta ultima à Scalabiport que assim, continuaria a funcionar. Mas não, apenas se adiou um problema inevitável, fez-se a chamada “ fuga para a frente”. E agora? Quem vai assumir as responsabilidades politicas desta situação? Será que uma vez mais a culpa vai morrer solteira, viúva ou divorciada?

Gostava que, no futuro, imperasse a prudência nas decisões políticas que são tomadas. Em vez de se resolver um problema, criou-se outro. A coragem de tomar medidas impopulares não está ao alcance de todos. É preciso ter maturidade política para tal. Estamos aqui a tratar da vida pessoal de pessoas, que têm família e que dependem deste emprego. Não podemos ser insensíveis a este tipo de situações e devemos evitar sempre (embora nem sempre caiam bem) que elas aconteçam.

Nuno Cardigos