Nuno Cardigos

nuno cardigosA recente greve de dez dias na TAP, vem colocar a nu um problema que grassa no nosso país à décadas e que se chama mentalidade. Sendo um direito inalienável, compreendo que existam situações onde os trabalhadores têm toda a legitimidade para reivindicar os seus direitos, pois muitas vezes são claramente espoliados dos mesmos.

Não é o caso da greve nesta companhia aérea. Estamos a falar de uma situação que tem dezasseis anos e que visava ceder 20% da companhia aérea ao sindicato dos trabalhadores. Sabendo que é impossível cumprir esse acordo, os pilotos insistem na mesma bitola.

O porquê ninguém entende, muito menos vindo de um sindicato onde os seus membros auferem um vencimento bruto aproximado de doze salários mínimos. Fiquei também a saber que existem cerca de trezentos pilotos que não estão sindicalizados, sabe-se lá porquê. Talvez por não se reverem num sindicato que usa um meio para atingir outro fim e que não é, certamente, a defesa dos interesses dos trabalhadores.

Se esta greve e outras greves futuras, do mesmo género, persistirem, a situação financeira da TAP irá com certeza piorar, o que implicará a médio prazo mais despedimentos. Será isto defender o interesse dos trabalhadores?

Resta ainda também saber porque é que numa companhia aérea com vários sindicatos, só o sindicato dos pilotos resolveu convocar esta greve completamente despropositada. E seria curioso indagar porque é que não se ouve um único comentário dos restantes sindicatos.