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Nuno Cardigos

nuno cardigosAs televisões passaram oito dias a debitar informação sobre a prisão de José Sócrates. Sobre quase tudo se opinou, só faltando mesmo saber a cor do papel higiénico que o digníssimo usa, ou, se dorme com ou sem peúgas e com um barrete de pai natal.

Havendo então suspeitas de corrupção por parte do ex- primeiro-ministro, que não vêm de agora, ainda não foi explicado ao pais, porque é que José Sócrates ficou em prisão preventiva, e, por exemplo, Ricardo Salgado, que lesou em milhões de euros uma instituição bancária, saiu em liberdade com termo de identidade e residência.

A suposta teoria (suposta, porque o caso está em segredo de justiça) de que o arguido poderia fugir e atrapalhar as investigações em curso, a mim não me convence. Se José Sócrates fugisse de Portugal, ele próprio estaria a admitir a sua culpabilidade em todo o processo de que é acusado. Atrapalhar e interferir nas investigações em curso, não vislumbro de que maneira o poderia fazer, porque, se o tentasse, tal situação não abonaria em sua defesa.

Lembro-me perfeitamente da forma como José Sócrates chegou a Chefe de Governo. Estávamos em 2005, José Manuel Durão Barroso demitiu-se do cargo de Primeiro-ministro e emigrou para Bruxelas, ocupando então Pedro Santana Lopes o cargo em São Bento. Ferro Rodrigues demite-se de Secretário-geral do Partido Socialista em virtude de Jorge Sampaio se recusar a marcar eleições antecipadas.

Ai surge José Sócrates, figura de segundo plano à data, sem preparação alguma para assumir o cargo de Primeiro-ministro. Ganha as eleições a Pedro Santana Lopes. E é logo ai que começam a surgir as primeiras suspeições públicas sobre o então novo Primeiro-ministro, que se vieram a arrastar até à presente data. Não é fácil esquecer a forma como Manuela Moura Gudes e José Eduardo Moniz saíram da TVI, e as razões e acontecimentos que levaram a tal.

E aqui eu pergunto: como é que a justiça deixa passar nove anos sem chamar José Sócrates a prestar declarações sobre as suspeitas que recaiam sobre ele já na altura? Que pressões estiveram por detrás de toda esta história, para que só agora, o mesmo, fosse detido sem aparente necessidade e com todo aquele aparato? Bastava uma simples notificação para se apresentar, à semelhança do que foi feito com Ricardo Salgado.

Mas não. A detenção leva quase sempre à autovitimização. Levou a todo aquele aparato de violação dos direitos humanos e de circo mediático. Não posso esquecer, como se desenrolou o processo de Isaltino Morais à alguns anos. Para os eleitores de Oeiras ele foi uma vítima do sistema, passando, claramente, para segundo plano, as acusações de que era alvo.

Lembro-me quando Madoff foi preso nos Estados Unidos. Foram apresentadas à opinião pública todas as provas que levariam à condenação desta pessoa, não houve duvidas, foi claro como a água que nasce no sopé da Serra da Estrela.

Doa a quem doer, se existem provas concretas para deter e julgar José Sócrates, elas têm que ser públicas. Quem, como, quando e de que forma, são respostas que temos de exigir, de forma a evitar todo este aparato que se está a gerar em torno desta situação.

E tanto falo deste caso, como de Duarte Lima, Armando Vara, Dias Loureiro e outros que seguramente ai virão. O povo já não quer sangue, quer que se faça justiça e, de preferência, com alguma celeridade.



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