José Carlos Antas

Dia 19 de Março - dia de S. José e dia do Pai. Por isso, os Pais estão de parabéns, assim como, todos aqueles que por ausência da figura paternal desempenham a mesma função na educação, na transmissão de valores e no sustento das crianças do seu agregado familiar. Por vezes, como sabemos, são as mães que carregam as responsabilidades dos dois papéis, outras vezes, são os tios, os avós, os padrinhos que estão presentes e que amparam, dando carinho, estabelecendo laços e a autoridade necessária de um dos papéis fundamentais na família, independentemente de quem o executa.

Ser “apenas” pai biológico não dá direito por si só, aos beijos e abraços dos filhos, de receber aquelas mãos pequenas coloridas impressas num papel, de receber versos carinhosos, de receber os mais variados desenhos e trabalhos manuais de valor incalculável (mais valiosos que uma coleção de Mirós) que as crianças trazem da escola com ansiedade em oferecer e que devem ser sempre apreciados com reverência e admiração.

Ser Pai é ser responsável e responsabilizar, é estar presente sempre que possível, é brincar e acompanhar, é dar atenção e saber escutar, é educar e repreender. É enfrentar os desafios constantes que surgem e decidir qual o melhor caminho a escolher. É ser um timoneiro sem perder o rumo em dias de tempestade… e que enorme tempestade tem fustigado as famílias portuguesas ultimamente, obrigando a uma luta aguerrida e constante, por vezes, buscando oportunidades por outras paragens, ausentando-se por longos períodos de tempo.

Hoje não é o dia do pai irresponsável, egoísta e violento, que desleixa o lar, que atemoriza o seu agregado familiar quando roda a chave na porta de entrada e torna o ambiente pesado, instável e de medo. Pois, o lar, independentemente dos mais variados e atuais conceitos de família, tem de ser sinónimo de paz, de equilíbrio, um porto de abrigo onde se recuperam forças e se formam caracteres para a batalha diária da vida “lá fora”.

O lar é um santuário onde se devem curar as feridas e não abri-las. Desse santuário irá sair o nosso legado ao mundo, por isso devemos dar o nosso melhor dentro das nossas capacidades e de acordo com a nossa consciência, com carinho, respeito e estabilidade. Sabendo, no entanto, que não há perfeição, resultados adquiridos ou fórmulas mágicas.

Os filhos são a nossa descendência, mas são pessoas distintas de nós que não devem ser formatadas à nossa imagem, nem incutidas a realizarem sonhos que não conseguimos no nosso tempo devido. Nós, enquanto desempenhamos papel de Pais, devemos dar aos filhos instrumentos necessários à sua integração social e o “empurrão” decisivo para que iniciem o seu próprio voo confiantes na concretização dos seus objetivos.

A partir desse momento é vê-los voar com o mínimo de interferência, por vezes impotentes, com o coração apertado e os braços esticados, enquanto tivermos forças, para ampará-los se, por ventura, caírem. Afinal, quando se assume o papel de Pai é para sempre.

José Antas

Pós-Graduado em História, Defesa e Relações Internacionais