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José Carlos Antas

jose carlos antasNão vos vou falar da TAP, Carris, Metro, mas sim de uma qualquer entidade pública e das relações laborais num sentido figurado. Não vou escrever sobre alguém em particular, mas sobre muitos em geral. Sobre aqueles presidentes /chefes/diretores que à frente dos destinos de uma qualquer estrutura orgânica pública conduzem o seu “autocarro” para atingir determinado objetivo que, por princípio, deverá ser sempre o da organização a que pertencem.

Não é novidade nenhuma, pois todos temos conhecimento, que existem aqueles condutores que sabendo que o autocarro (leia-se estrutura orgânica) não lhes pertence, não se empenham muito e esperam passar o tempo da sua viagem (leia-se comissão) não levantando muitas ondas, cumprindo sem brilhar, adormecendo os passageiros (leia-se funcionários e/ou utentes). Outros empenham-se demasiado e gerem como se a viatura fosse deles, traçando o seu próprio caminho, correndo risco de ultrapassar algumas regras, não fazendo as paragens obrigatórias, as manutenções devidas, nem prestando atenção às necessidades dos passageiros. Estes, por vezes, esquecem-se que pertencem (leia-se dependem) de uma companhia de transportes nacional e que os objetivos se interligam com os destinos dos outros autocarros espalhados pelos diversos percursos que têm de seguir. Mesmos os presidentes/chefes/diretores dessa estrutura maior nacional que não conduzem, mas gerem e coordenam a frota, não são donos dela e têm de apresentar contas sobre as metas traçadas, os gastos das viaturas, as condições dos passageiros transportados, etc., a alguém colocado hierarquicamente acima deles que normalmente é eleito pela população. Os ingleses têm a expressão “There is always a bigger fish” (há sempre um peixe maior/mais poderoso) que controla.

A transportadora (leia-se qualquer entidade pública) pertence ao Estado Português, ou seja, a TODOS, a quem conduz, a quem é conduzido e a todos os portugueses. Por isso, também os passageiros (funcionários/colaboradores/utentes) têm uma palavra a dizer, não devendo ser isentos de responsabilidades. Devem dizer ao condutor para parar nas paragens obrigatórias, respeitar as regras de trânsito, andar mais devagar, pois podem por a vida em risco de quem vai no autocarro e, claro, a possibilidade de não chegar ao destino que se pretende. Noutros casos, devem estar atentos para o condutor não adormecer e também por isso, ser ultrapassado, não chegar a tempo, ou mesmo, não chegar.

Obviamente existem alguns passageiros que dizem para acelerar e apoiam o condutor na sua condução arriscada ou monótona. Esses vão nos lugares da frente, os outros que alertam, avisam, questionam, vão nos lugares atrás para não se ouvirem com o barulho do motor.

Penso que o equilíbrio é necessário. Um empenho profissional, uma organização planeada estrategicamente e com objetivos bem definidos e assimilados por todos os colaboradores. Uma organização adequada à realidade atual onde todos remem na mesma direção. Mas também tem de haver sentido crítico, bom fluxo de comunicação, sem receios do ridículo, de pressões ou, mesmo de penalizações. É preciso inovação, flexibilidade e, acima de tudo, capacidade de liderança.

Não querendo caraterizar ninguém em particular e muitos no geral, devo dizer que ao longo dos meus 25 anos de passageiro em duas grandes transportadoras, tenho encontrado bons condutores, condutores lentos e outros que passam por cima de tudo. Condutores que ouvem os passageiros e se interessam, outros que ouvem apenas o que querem e outros que nem ouvem. Acima de tudo são pessoas que, como os outros, umas vezes acertam, outras erram. Se tiverem a capacidade de reconhecer que são superiores hierárquicos e não superiores enquanto pessoas, a humildade de assumir os erros e corrigi-los, aprendendo, crescendo e envolvendo todos nas decisões, de certeza que tudo será mais fácil.

 



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