José Carlos Antas

jose carlos antasNeste mês de maio é natural ver pelas estradas do concelho de Santarém, centenas e centenas de peregrinos a caminho de Fátima. Vêm de todos os lados do país, em grupos ou individualmente, com muitos quilómetros nas pernas. As suas motivações espirituais incumbem o corpo de percorrer a distância até ao local sagrado, devido a promessas, em ação de graças ou, simplesmente, para acompanhar um familiar ou amigo. Por vezes, as razões da peregrinação são partilhadas, outras ficam em segredo.

As dificuldades e os desconfortos são muitos, há que resistir às bolhas nos pés, dores musculares, à desmotivação, às noites mal dormidas, ao calor e à chuva e a tudo o que racionalmente lhes diz para irem para casa no carro de apoio. No entanto, apesar das adversidades, a grande maioria acaba por atingir o objetivo a que se propôs. 

Cansados, procuram os bocados de estrada sem buracos ou pedras e, muitas vezes, tendem a ir para o alcatrão, que nos dias mais quentes escalda os pés e que se torna mais perigoso pela proximidade da faixa de rodagem. Outras vezes, as estradas são demasiado estreitas para os grandes grupos que “engordam” as fileiras. É necessário ter atenção redobrada, tanto aquele que caminha, como aquele que conduz.

É interessante também observar como a obrigatoriedade do colete refletor no automóvel e a facilidade em encontrar esse adereço a baixo custo, fez com que quase a totalidade dos peregrinos usassem coletes fluorescentes, fazendo um efeito colorido que contrasta com o vermelho das papoilas nos campos junto à estrada e nos terrenos circundantes. Foi uma excelente ideia, mas infelizmente todos os anos acontecem acidentes com maior ou menor gravidade, que acabam por arruinar uma missão tão simples. 

Esta missão é algo muito pessoal, mas que também pode ser de grupo; É de sacrifício, mas também pode ser de convívio; É de silêncio, mas também pode ser a cantar. As formas de manifestar esta vontade são muitas e são livres. E não deixa de ser tocante, independentemente de quem acredita ou não, ver o santuário repleto de gente, principalmente na procissão das velas com incontáveis pontos de luz e no momento do adeus com um mar de lenços brancos. Afinal, é a fé e a esperança que estão ali a ser manifestadas, são sentimentos complacentes do ser humano que devem ser respeitados.

Para todos aqueles que vão, ou estão a pensar em ir nestes próximos meses ou em Outubro, desejo-lhes uma peregrinação em paz e segurança.