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José Carlos Antas

jose carlos antasHoje em dia fico espantado com a quantidade de pessoas que têm razão. Falo com um individuo, ele argumenta de tal forma que parece que tem razão, converso com outro e o seu discurso é tão verdadeiro que também sugere que tem razão, apesar de dizerem exatamente o contrário um do outro. Será que só eu tenho dúvidas? A perspetiva pessoal com que são apresentados os argumentos, as razões e as explicações, aliadas a uma atitude firme e convincente fazem parecer que todos têm razão.

As racionalidades são tantas e as experiencias de vida, profissionais, sociais e académicas diversas, que as visões de cada um sobre determinado assunto são muitas vezes, variadas e extremas, confundindo a verdadeira realidade e a verdadeira razão. Assim, como disse um filósofo francês “as racionalidades são tantas que nos tornamos céticos”. Assistimos a discussões entre dois ou mais indivíduos e vemo-nos a vacilar entre uns e outros, acabando por cair no descrédito e na desconfiança.

Eu tento, a custo, perceber as várias perspetivas e “encarnar” no papel de cada interlocutor, mas nesta avaliação perde-se tempo e o momento de resposta e, hoje em dia, não há tempo para refletir. É como nas promoções limitadas temporalmente, em que o consumidor tem de comprar senão perde a oportunidade. Esta pressão incutida propositadamente pode precipitar para adquirirmos algo que não precisamos ou que nem sequer serve para alguma coisa. Faz parte do marketing e acho que atualmente isso que acontece em matéria de opinião e decisão.

As coisas raramente são feitas com tempo, é uma característica portuguesa. Quando se começa a planear com muita antecedência dizem: Epá, falta ainda muito tempo! Já estás a trabalhar nisso? - Mas o problema é que o tempo passa depressa demais e quando notamos temos de decidir “para ontem”. E aqui surgem os que têm opiniões já formadas (bem ou mal), os técnicos e os palpiteiros, mas todos se debatem de igual para igual devido à pressão para tomar a decisão. Assim, cheios de si mesmo, por vezes com egos desmedidos que mal cabem nas portas, defendendo as razões que cada um apresenta, de tal maneira que parece que falam todos o que é mais correto. Isto acontece nos mais variados cenários: político, financeiro, profissional, académico, etc. Porém, há que definir a opção a tomar e as decisões nunca agradam a todos, pois unanimidade e humanidade só rimam, mas são praticamente incompatíveis. E claro, com pouca reflexão e muita confusão, se nos apoiarmos nos palpiteiros, podemos enveredar por um caminho que não pretendemos.

Por exemplo, ao ouvirmos os comentadores nas televisões e rádios ou lermos nos jornais, verificamos que segundo a sua ideologia, experiência e perspetiva pessoal abordam o mesmo tema de uma forma completamente diferente, apresentando muitas vezes argumentos plausíveis que lhes dão peso na sua opinião. Quanto a quem ouve, a confusão instala-se e, ou opta pela simpatia de determinado comentador, ou torna-se cético dizendo que na sua diferença de opinião são todos iguais, pois querem defender os seus próprios interesses. E é este o sentimento da maior parte de nós, que inundados com o excesso de informação inclinada para um lado ou para outro, seja sobre que assunto for, acabamos por não acreditar e criar uma perspetiva pessoal que, por vezes é… nenhuma. Mais vale dizer: “Não quero saber disto para nada! Eles que se entendam! Há coisas mais importantes”, do que perder tempo a refletir sobre as coisas.

O que é um facto é que a sociedade é um sistema aberto e a envolvência abrange-nos e afeta-nos a todos. E por isso temos de estar informados, procurar fundamentação sólida, conhecer os eventuais danos colaterais entre o fator humano e o material, o pragmático e o social, o real e o demagógico. Isto é, convém conhecer as várias perspetivas, definir a nossa própria razão e chegar a uma conclusão. Afinal, nem todos têm razão, mas TODOS podem ter uma palavra a dizer. 

 



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