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José Carlos Antas

Quem não se lembra do filme Braveheart, realizado por Mel Gibson, no qual também ele interpretou o herói escocês William Wallace? Nele, a par do argumento romanceado nestes casos, a independência da Escócia era a questão central e no final, Wallace, acaba traído pelos seus nobres. Esta história ilustra um exemplo das contendas entre a Escócia e a Inglaterra que, entre avanços e recuos, entre guerras e acordos, o tempo foi passando e o Reino Unido manteve-se… unido. Porém, atualmente há uma nova ameaça a integridade da ilha, o referendo que se realiza no dia 18 de Setembro na Escócia sobre o “sim” ou “não” à independência, traz-nos algumas questões para refletir um pouco sobre a Europa e as Relações Internacionais.

1 - Por um lado, a União Europeia (UE) permite uma maior integração dos países através das políticas económicas e monetárias (países do Euro), das fronteiras com a livre circulação de pessoas, bens e mercadorias, com a cedência de soberania dos Estados às instituições europeias, mas por outro, no interior de algumas nações, existem regiões que reclamam mais autonomia ou mesmo independência. Porquê?

Poderá ser, eventualmente, porque os Estados ao transferirem alguma soberania para a UE ficam mais fragilizados e com isso existe um proveito regional alinhado com lideranças carismáticas e fraturantes, que sabem interpretar os sinais de descontentamento da população com as políticas sociais, de emprego, económicas, etc. Sentem que é necessário mudar alguma coisa e os ecos da independência e maior autonomia repercutem-se e congregam as vontades de muitos. No entanto, também me parece que a proclamada independência que se requer não é de todo como há uns tempos atrás. As regiões/estados não deverão querer ficar isoladas e devem continuar no espaço da UE, pois duvido que irão surgir enclaves ou novas “Suiças”.

2 – Se o “sim” vencer e for aceite esta decisão democrática do povo escocês de um estado independente, muito provavelmente haverá outras regiões, nomeadamente espanholas, que podem requerer a mesma via pelas mesmas razões, estou a referir-me por exemplo à Catalunha, Galiza, Pais Basco… o que irá gerar uma instabilidade em Espanha e/ou noutros países em que poderão surgir estas questões e em última análise na UE, onde o equilíbrio já é de si periclitante.

Penso que enquanto houver uma falta de liderança na política europeia, que conduza a uma estratégia unificada de desenvolvimento económico e social, de envolvimento dos cidadãos, de convergência de políticas de relações externas nas quais as pessoas se revejam e adiram, estes problemas vão continuar a existir neste pequeno e velho continente retalhado pela história, politica, guerras, etnias e religiões (por ex. Balcãs). Neste sentido, Portugal tem a vantagem das suas fronteiras se encontrarem definidas quase desde a sua fundação, podendo contribuir eventualmente para estabelecer pontes, criar soluções e ficar mais liberto para uma ação diplomática mais interventiva no seio das instituições europeias.

3 – Há ainda um problema que se pode levantar, se aceitarmos o “sim” neste referendo democrático na Escócia, porque é que somos intransigentes (mundo ocidental) com a Rússia na questão da Crimeia, Donetsk, Lugansk, onde a população de maioria russa referendou a favor da sua independência da Ucrânia? E onde, inclusive, também têm a suas razões históricas, nomeadamente na Crimeia. É certo que foi um referendo não estatutário, nem legal do ponto de vista interno e externo, mas não deixa de manifestar a preferência da maioria das pessoas.

Temos uma nova Comissão Europeia quase em funções (em Outubro) e uma Alta Representante para os Negócios Estrangeiros, a italiana Frederica Mogherini, que irá ter de lidar com questões desta natureza.

Na minha opinião, estes e outros motivos fazem estas questões complexas, emaranhadas num conjunto de aspetos delicados de Relações Internacionais cujas repostas não devem ser dadas de ânimo leve, mesmo sendo apenas um “sim” ou um “não”, pois, se a emoção leva-nos a ficar do lado de William Wallace, a razão alerta-nos para problemas paralelos inerentes com consequências perigosamente desconhecidas.



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