JOSÉ GAIO

Houve um tempo, ainda não há muitos anos, que os jornais regionais ostentavam com orgulho e em letras grandes os números das suas tiragens. Paulatinamente, ao ritmo da crise e do decréscimo das tiragens, esses dados deixaram de aparecer.

É um dado inegável que os jornais em suporte papel vendem cada vez menos. As dificuldades das famílias que cortam nas despesas consideradas mais supérfluas a juntar a uma mudança nos hábitos de leitura fazem com que se assista a uma quebra imparável das tiragens dos jornais. De ano para ano e a uma escala global os dados oficiais revelam uma queda da imprensa “impressa”. Portugal não foge à regra e os jornais regionais, sendo os mais vulneráveis, estão a sofrer uma erosão que atende a agravar-se.

Na nossa região vários títulos desapareceram nos últimos anos. Em simultâneo, surgem novos projetos de jornalismo na internet como é o caso da Rede Regional.

Estamos num processo de mudança de hábitos de consumo de informação, do papel para o online, que coloca questões vitais como a sustentabilidade dos projetos jornalísticos na internet. Como rentabilizar sites de notícias? Qual o modelo de negócio ideal? Esta é a pergunta que atormenta os empresários do setor. Por um lado é difícil fazer com que os leitores se habituem a pagar pelo acesso à informação. Por outro lado a escassa publicidade não é suficiente para cobrir as despesas (remuneração dos jornalistas, equipamento, alojamento e construção dos sites, etc).

Conforme foi sublinhado numa série recente de artigos no jornal Público sobre os grandes dilemas do jornalismo da atualidade, o modelo que parecer estar a obter melhores resultados é o de permitir aos leitores abrirem 20 artigos por mês antes de serem convidados a fazer uma assinatura.

Com este sistema consegue-se “manter visitantes em número sufi ciente para continuar a fazer dinheiro com a publicidade e, ao mesmo tempo, conseguir receitas com um nicho de leitores assíduos e dispostos a puxar do cartão bancário”, lê-se no Público de 12 de novembro.

Mas no mesmo jornal, ressalva Tom Rosenstiel, diretor do Project For Excellence in Journalism, uma entidade americana que se dedica a estudar os media, “este modelo é promissor para jornais mais pequenos se, em primeiro lugar, produzirem um jornal com valor real para as pessoas que estão dispostas a pagar e se a experiência digital for boa”.

Este é um desafio para que a imprensa regional se consiga reinventar e dar respostas às transformações que estamos a viver.

José Gaio