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OPINIÃO: Rui Barreiro

rui barreiro

O poder da comunicação social é muitas vezes ignorado. No entanto, a capacidade de influenciar é enorme, especialmente na nossa sociedade.

Muitos dos nossos concidadãos sofrem ainda de uma iliteracia funcional e a leitura dos jornais, por exemplo, é feita muitas vezes com baixo sentido crítico. O que está escrito passa a ser tido sempre como verdadeiro e não é questionado. Meias verdades e insinuações são colocadas na mesa sem qualquer rebuço. Mistura-se opinião com notícia muitas vezes. Não se lê totalmente, não se pergunta quem ganha e quem perde com determinada notícia, nem sequer se questiona a oportunidade do aparecimento da notícia A em detrimento da notícia B.

Assiste-se, muitas vezes, a linchamentos públicos, julgamentos de carácter e promoções pessoais de quem mais paga ou achincalhamentos de quem não o faz. A culpa não é só da comunicação social que pratica estes modelos de comportamento mas também é de quem alimenta estas práticas, prejudicando quem não as tem e quem tenta fazer da isenção a sua prática diária.

Enquanto perdurarem estas formas a cidadania não se enraíza, a comunicação social pode continuar mas não cumpre a sua obrigação social, limitando-se a sobreviver numa selva de contornos menos dignos e que nos fazem a todos mais pobres. Reconheço que nem todos o fazem mas basta que alguns se mantenham no mercado para que a nódoa se mantenha presente.

Os hábitos de leitura são baixos e não são devidamente promovidos. A leitura, tal como a frequência de espectáculos teatrais, musicais, de bailado são essenciais ao aumento da cidadania. Cidadãos mais educados, mais cultos, mais tolerantes são também mais exigentes e mais críticos e ajudarão a melhorar a nossa sociedade e certamente a contribuir para um mundo melhor.

Também aqui os políticos têm culpas no cartório. Porque alimentam aqueles poderes em detrimento destes. Porque não denunciam publicamente os abusos e porque se conformam com a utilização dos dinheiros públicos para a promoção temporária da “boa imagem”.

A democracia que estamos a construir precisa de uma comunicação social livre, isenta e de qualidade mas essa comunicação social tem custos que não podem ficar exclusivamente ao sabor de alguns poderes sejam eles empresariais ou políticos. Todos sabemos o peso que as agências de comunicação demonstram e a existência de assessores de comunicação praticamente em todas as instituições públicas e privadas. A imagem e a comunicação são reconhecidas como importantes. A forma e o conteúdo são avaliados nem sempre com os mesmos pesos.

Leitores mais críticos podem fazer a diferença mas na nossa sociedade em que no supermercado a grande maioria é obrigado a escolher o mais barato torna-se difícil exigir que sejam os leitores a fazer essa seleção qualitativa.

A esperança num futuro melhor também passa por aí, por acreditar que os melhores serão os que conseguirão sobreviver mas confesso que, apesar do meu optimismo crónico, neste aspecto, mantenho algum pessimismo. Oxalá me engane!

Rui Pedro de Sousa Barreiro



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