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Rui Barreiro

Na sequência da descolonização que ocorreu no pós 25 de Abril de 1974, Portugal recebeu um milhão de pessoas, o que na altura correspondia a quase 15% da população. Os chamados “retornados”, nem sempre bem acolhidos pelos seus “irmãos locais”, trouxeram sangue novo e instalaram-se em Portugal dando o seu contributo decisivo para o desenvolvimento do nosso País que tinha alguns atrasos estruturais maiores que algumas das zonas de África de onde regressaram apressadamente esses nossos concidadãos. Nessa altura não havia apoio da União Europeia e o país e a sua sociedade conseguiram, apesar de todas as dificuldades, acolher e integrar!

Hoje, a Europa é confrontada com refugiados que fogem da guerra e da fome e infelizmente em Portugal apenas se fala em receber 1500 refugiados. Ridículo, digo eu. Só o Ribatejo tinha condições para acolher com a dignidade exigida este número que referi e esse esforço deveria ser feito por todos: Instituições de solidariedade social, autarquias e cidadãos.

Ao correr da pena lembro-me de espaços na Estação Zootécnica Nacional, no Politécnico de Santarém e no Campo da Feira que poderiam ser usados, sem falar nas centenas de casas fechadas e sem utilização, mais as devolutas nos centros históricos, etc., etc. Não basta acolher. É preciso cuidar (saúde, educação, formação profissional, emprego, etc.) e essa é uma tarefa que nós podemos e sabemos desempenhar.

Revolta-me e entristece-me profundamente os discursos dos que dizem que estes refugiados não são portugueses, mas sim muçulmanos, bandidos e terroristas e, por tudo isso, não os devemos ajudar, ou então que ajudemos os “nossos” desempregados. Há também aqueles que defendem que sim devemos ajudar, mas bem longe das nossas casas e através da união europeia. Sinto-me completamente deslocado ao ouvir estes argumentos e decidi combater esta versão dos factos. Quero e vou ajudar quem precisa e estou certo que haverá, pelo menos mais um outro combatente por esta causa. Quem sabe o exército de disponíveis para ajudar os refugiados que viermos a receber não aumentará?!

Não é fácil gerir este problema complexo e de múltiplas necessidades e respostas, mas as imagens que entram nas nossas casas obrigam-nos a escolher um caminho que não pode ser outro do que tratar como irmão quem precisa. Desta feita são aqueles! Muitos dos escritos prospectivos dizem que dentro de algum tempo serão os refugiados climáticos que obrigarão, provavelmente, os nossos netos a voltar a lidar com estas questões! Por ora, deixemos as prospectivas e fixemo-nos nesta realidade dura e crua que hoje temos pela frente.

As responsabilidades destes refugiados também são nossas. Ao contrário do que ouço dizer, os cidadãos que escolhem governos que produzem políticas externas que por sua vez interferem, de forma violenta, nestes países e que hoje dão origem aos refugiados são também responsáveis. Ainda se lembram do célebre encontro das Lajes onde estavam, entre outros, Durão Barroso e Tony Blair? Podia dar outros exemplos mas julgo que este basta!

O comércio de armas e o jogo estratégico-militar com o petróleo e outros interesses económicos pelo meio produziram estes problemas. Muitos dos que ganharam “rios de dinheiro” a criar esta situação serão provavelmente os que irão ganhar também com as respostas humanitárias. Isso a mim, comum cidadão que acredita na igualdade, na fraternidade e na solidariedade não me interessa muito. Devo, é claro, lutar também para que esses não ganhem sempre.

Esta questão da ajuda humanitária não se trata apenas de caridade! Na verdade trata-se somente de humanidade e isso basta-me. Venha daí comigo e abrace esta causa.

Rui Pedro de Sousa Barreiro



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