Rui Barreiro

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Ora, aproximam-se as eleições e o Tejo volta a ser notícia na comunicação social por motivo de várias intervenções de deputados do distrito. Julgo que alguns nunca molharam o pé no rio e outros nem sabem bem onde passa o dito.

Desde bem cedo que a partir do Vale de Santarém me habituei a viver o Tejo. As viagens de bicicleta até Valada, ou até ao campo do Vale acabavam muitas vezes, de uma forma inconsciente, no rio. Felizmente sempre tudo correu bem. A minha última experiência de barco no Tejo foi de Abrantes até às Caneiras, uma aventura única e inesquecível.

Infelizmente o Tejo, o nosso rio Tejo, anda esquecido. É provavelmente o mais esquecido de Portugal apesar de ser o ”rio mais extenso da península Ibérica. A sua bacia hidrográfica é a terceira mais extensa na península, atrás do rio Douro e do rio Ebro. Nasce em Espanha - onde é conhecido como Tajo - a 1 593 m de altitude na serra de Albarracín, e desagua no oceano Atlântico, banhando Lisboa, após um percurso de cerca de 1 007 km. A sua bacia hidrográfica é de 80 600 km² (55 750 km² em Espanha e 24 850 km² em Portugal), sendo a segunda mais importante da península Ibérica depois da do rio Ebro” (retirado da Wikipédia).

Dizem que os espanhóis tratam o rio como se Portugal fosse o mar e por isso aproveitam tudo. Compete-nos a nós evitar que assim seja, o direito internacional também serve para isso e os acordos de gestão das bacias hidrográficas devem ser usados bem como a noção de caudal ecológico.

Da agricultura ao turismo grandes são as possibilidades de potenciar o nosso rio. Precisamos de recursos, é verdade, mas o que mais precisamos é de vontade.

Mesmo banhando Lisboa, os responsáveis políticos nunca olharam o Rio Tejo com olhos de quem quer investir, melhorar e tratar alguns dos seus problemas. Praticamente todos os grandes rios portugueses tiveram sérios, permanentes e avultados investimentos na sua regularização, navegabilidade e melhoria ambiental, com excepção do nosso Tejo.

É chegada a altura de, pelo menos os ribatejanos, exigirem que este assunto não saia da agenda política a partir de agora. Exigir posições públicas durante a campanha eleitoral e depois das eleições não deixar cair no esquecimento o assunto. O potencial do rio é elevadíssimo.

Num momento de vacas magras talvez seja a altura de estudar, planear e decidir bem para que se possam aproveitar os recursos disponíveis. O Rio Tejo é um deles e se nada fizermos somos cúmplices do que vier a acontecer de mal ou do que não acontecer de bom. Por isso” toca” a perguntar aos candidatos que passam pela nossa terra o que pensam eles fazer pelo nosso Rio, o Tejo. E depois dizer que vamos fiscalizar o que vão fazer. O Tejo merece pelo menos isso!

Rui Pedro de Sousa Barreiro