Quatro militares do posto da GNR de Samora Correia estão acusados pelo Ministério Público (MP) de um total de 75 crimes, relacionados com furto e venda de metais, fraudes a seguradoras, falsificação de documentos e atos de corrupção passiva e ativa, entre outros.
Este mega processo, que vai ser julgado no Tribunal de Santarém a partir de abril, envolve outros 20 arguidos, entre os quais figuram os autores materiais dos furtos, vários recetadores e sucateiros, e outros cúmplices alegadamente envolvidos nos esquemas ilícitos que eram controlados pelos guardas, entretanto suspensos de funções.
Recorde-se que estes militares, de 49, 38, 34 e 28 anos, foram detidos a 15 de outubro de 2014 durante a mega operação “Hydra”, realizada na sequência de uma investigação que estava a ser desenvolvida pela Unidade de Ação Fiscal da GNR.
Esta operação, que envolveu dez buscas domiciliárias e oito não domiciliarias na área de Samora Correia., culminou também na detenção de outros quatro suspeitos, e na apreensão de 5,5 toneladas de metais não preciosos, armas, viaturas de luxo, documentos falsos e material informático.
Cabecilha acusado de 45 crimes, 20 dos quais de furto qualificado
O principal suspeito de ser o cabecilha da rede é um guarda de 49 anos, o único a ser colocado em prisão preventiva, e que está acusado de um total de 45 crimes, entre os quais furto qualificado, peculato, abuso de poder e falsificação.
Segundo o despacho de acusação, a que a Rede Regional teve acesso, este militar trabalhava também como segurança privado na Incompol, uma empresa de componentes para automóveis que foi assaltada mais de 20 vezes entre maio e outubro de 2014.
O arguido é suspeito de planear e dirigir os próprios assaltos à empresa, executados por vários cúmplices que depois vendiam os metais não preciosos, sobretudo peças em alumínio e inox, a empresas de reciclagem ambiental.
A acusação refere que o militar chegou a trocar um cadeado de um portão lateral para facilitar a entrada nas instalações da Incompol aos cúmplices, enquanto vigiava a entrada principal, e chegou mesmo a tapar câmaras de videovigilância com uma vassoura, enquanto decorriam os assaltos.
O arguido, valendo-se da sua condição de militar da GNR, chegou a intervir numa situação em que um dos seus executantes foi apanhado numa operação STOP na Rotunda da Torre, no Porto Alto, com uma carrinha recheada de metais roubados.
Dois dos militares chegaram a estar fardados e de serviço nas instalações da empresa, para supervisionar os furtos e garantir proteção aos assaltantes.
Entre os arguidos do processo, figura também uma administrativa de uma empresa de valorização de resíduos, que vai responder por 13 crimes de recetação, por ter comprado os metais sabendo da sua origem ilícita.
Sinais exteriores de riqueza denunciaram militares
A vida faustosa não coincidente com os rendimentos auferidos enquanto militares da guarda e os sinais exteriores de riqueza acabaram por chamar a atenção sobre os militares, que foram alvo de uma investigação durante vários meses e recheada de escutas telefónicas.
Os três militares mais novos, segundo a acusação, olhavam para o GNR mais velho como um exemplo a seguir e deixaram que este influenciasse as suas condutas, tornando-se cúmplices dos esquemas ilícitos.
Estão acusados de 13, 11 e seis crimes, respetivamente, onde se incluem acusações de falsificação qualificada, peculato, corrupção passiva, abuso de poder e favorecimento pessoal, entre outros.
Além de saberem dos roubos de metais não preciosos, estão também envolvidos em esquemas de burlas a companhias de seguros, onde obtiam proveitos através da falsificação de dados de acidentes de viação, com a conivência de mecânicos e vendedores de automóveis.
































Uma resposta
deveriam ser decorados com a medalha de merito national !!