Aquele que era considerado o cabecilha do grupo, um arquiteto de Viseu, apanhou a pena mais pesada, 9 anos, ao passo que o irmão, ex-proprietário de um restaurante na mesma cidade, foi condenado a 8 anos de cadeia.
Aos outros dois arguidos, também dois irmãos naturais do Funchal e residentes em Ponte de Sôr, o coletivo de juízes do Tribunal de Santarém aplicou-lhes 8 e 7 anos de prisão, num acórdão que deu como provado que o grupo atuava como “correio de droga” numa rede internacional de tráfico poderosa e sofisticada, capaz de ludibriar autoridades de vários países e movimentar o produto estupefaciente entre continentes.
Recorde-se que os quatro arguidos foram detidos a 19 de março de 2018 num armazém recôndito em Vale Dourado, nos arredores de Santarém, onde foram apreendidas 300 embalagens de droga com elevado grau de pureza, com cerca de 1,1 quilos cada uma, escondidas nos revestimentos de frigoríficos, arcas congeladores e equipamentos de frio.
Os eletrodomésticos chegaram a Portugal por via marítima, num contentor expedido da Venezuela, país onde todos os arguidos viveram antes de fixarem residência novamente em território nacional.
O Tribunal de Santarém deu como provado que o carregamento apreendido em Santarém foi, na realidade, o segundo que este grupo introduziu em Portugal.
No início de 2017, os arguidos colocaram em prática o mesmo esquema no edifício da antiga discoteca La Movida, no Montijo, que foi usado por poucos dias para rececionar droga dissimulada em componentes de eletrodomésticos, e no meio de outras mercadorias domésticas e bens pessoais de famílias que regressavam da Venezuela.
O erro que deitou tudo a perder
Este esquema sofisticado de tráfico chegou ao conhecimento das autoridades portuguesas através de um deslize cometido no Montijo.
Após retirarem as embalagens de cocaína do interior dos frigoríficos e das arcas, os arguidos vendiam os eletrodomésticos desmanchados para a sucata, por valores irrisórios e com o objetivo de se verem livres das provas.
Porém, ter-se-ão “esquecido” de retirar um pacote de cocaína de um dos eletrodomésticos, tendo a droga sido encontrada inadvertidamente pelo homem que, posteriormente, comprou peças do equipamento desmanchado ao sucateiro.
Sem saber o que fazer perante uma descoberta tão insólita, o comprador entregou a droga a um órgão policial, e foi a partir daqui que a Polícia Judiciária passou a vigiar os movimentos do grupo e montou a investigação que veio a culminar na mega operação realizada em Santarém.
Condenados a pagar mais de 800 mil euros ao Estado
Neste processo, o Ministério Público (MP) pediu liquidação para perda ampliada de bens a favor do Estado, tendo em conta que o dinheiro e o património encontrado na esfera dos arguidos será proveniente de atividades ilícitas.
O tribunal aceitou a liquidação dos montantes requeridos pelo MP, condenando os quatro homens ao pagamento de uma quantia que ascende aos 830 mil euros, aproximadamente.
































