Sáb, 24 Fevereiro 2024

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

Siga o nosso canal de WhatsApp e fique a par das principais notícias.

Moita Flores defende-se com acusações contra Câmara e Judiciária

A exemplo do que tinha sucedido durante a fase de Instrução do processo em que está pronunciado pelos crimes de branqueamento e corrupção, Francisco Moita Flores apresentou-se no Tribunal de Santarém dizendo-se vítima de uma “farsa perversa” montada por “gaiatos da PJ” e pelos “caciques locais do PSD”.

Estas foram algumas das expressões que o ex-presidente da Câmara de Santarém proferiu na sexta-feira, 5 de janeiro, na primeira sessão do julgamento, onde, só durante a manhã, prestou declarações durante mais de duas horas, garantindo ser inocente num “processo ao estilo inquisitorial” e de “uma má-fé nunca vista”.

A Acusação do Ministério Público (MP) “tem como único objetivo visar o meu nome, a minha reputação e o meu caráter”, desabafou o ex-autarca, uma vez que surgiu dois anos após ter deixado a Câmara de Santarém, e é omissa em relação aos atos praticados por quem ficou na autarquia a conduzir o polémico processo da construção do parque de estacionamento subterrâneo no Jardim da Liberdade e das obras na zona envolvente.

Classificando-o de “simples funcionário” e “merceeiro”, Moita Flores disse que nunca foi da opinião que Ricardo Gonçalves fosse a escolha certa para ser o seu sucessor, uma vez que “não tem cabeça para gerir um município desta dimensão”.

Tendo em conta os processos crime que o envolvem, o ex-presidente sente-se perseguido pelos “caciques locais do PSD”, tanto pelos que ocupam lugares na Câmara, como pelos que “manobram nas sombras” para chegar “a cargos de destaque, como é o caso do presidente da Águas de Santarém”, numa clara alusão a Ramiro Matos.

O lavar de roupa suja apanhou também o atual vice-presidente da autarquia, João Teixeira Leite, que “foi quem conduziu todo o processo de negociação” da segunda fase da empreitada com a ABB Construções.

“Ele virá aqui mentir a este tribunal, como já o fez na Instrução”, prevê Moita Flores, que explicou ao coletivo de juízes que a única intervenção que teve foi despachar o processo final para ir a aprovação em Reunião de Câmara, o que aconteceu.

“Daí para a frente, não tenho mais nada a ver com isto”, acrescentou, num discurso arrasador que se estendeu também à imprensa local, “os pasquins da terra” que ajudam a “espalhar as mentiras” que dizem da sua conduta enquanto autarca por “dependerem dos gordos subsídios que a Câmara lhes dá”.

Em relação ao processo, Moita Flores arrasou a postura do MP e da PJ, conseguindo levantar um possível “conflito de interesses” em relação à inspetora coordenadora que conduziu a investigação (leia aqui: Moita Flores levanta “conflito de interesses” na investigação da PJ)

Ex-autarca nega ter relação pessoal com CEO da ABB

Sobre Gaspar Barbosa Borges, o CEO da ABB Construções, também arguido pelos mesmos crimes que o autarca, Moita Flores garantiu que não tem qualquer relação pessoal de amizade com ele, e que a última vez que o viu até foi numa reunião que acabou “em tom bastante crispado”, na Câmara de Santarém.

“Não tivemos uma relação boa e cordial com o empreiteiro, porque percebemos que era teimoso e criava problemas para que a obra não avançasse”, explicou Moita Flores, acrescentando que a acusação de que recebeu subornos por parte da construtora bracarense não passa de “uma tese infantil” da PJ.

O grande problema com a construção do parque de estacionamento surgiu com a descoberta de uma infraestrutura de telecomunicações da antiga Portugal Telecom que não estava cadastrada em lado nenhum, já com a empreitada em andamento.

“Ninguém tinha conhecimento daquilo, nem sequer a PT, que se recusou logo a suportar os custos da sua remoção”, disse Moita Flores, explicando que se tornou necessário renegociar o contrato inicial com a ABB, o que foi feito depois de ter saído da Câmara, em 2012.

Introsys foi criada “para ajudar os meus filhos”

Sobre a Introsys, empresa do filho do ex-autarca, Nuno Moita Flores (também arguido neste processo), e que é suspeita de ter sido usada para canalizar pagamentos ilegais, Moita Flores garantiu que nunca teve qualquer conhecimento da sua gestão nem da sua situação financeira.

Segundo explicou, a empresa foi criada para ajudar os três filhos (Luís, Nuno e Matilde), tendo cada um uma percentagem societária diferente na empresa.

O dinheiro que recebeu da Introsys foi da alienação da sua quota na empresa, passados vários anos, e da qual Moita Flores garante que não fazia “a mínima ideia” do valor.

Sobre os factos relativos à transferência de 300 mil euros da ABB Construções para a Introsys, um dos crimes em discussão neste processo, Moita Flores diz que não se pronuncia por não ter nada a ver com as relações comerciais entre as duas empresas.

2 respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

2 respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Notícias Relacionadas

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB

PUB