Em lágrimas e com dificuldade em exprimir-se, a mulher de Mouriscas, concelho de Abrantes, que está acusada de ter assassinado o seu próprio bebé confessou no Tribunal de Santarém que nada fez para salvar o recém-nascido.
Liliana Leitão está acusada dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver pelo Ministério Público (MP), que sustenta ainda que a mulher escondeu a gravidez de toda a gente já com a intenção de tirar a vida à criança que carregava.
Os factos deste julgamento, que começou esta terça-feira, 20 de dezembro, remontam ao final de Fevereiro deste ano, na aldeia do Outeirinho, freguesia de Mouriscas, onde a arguida residia com o marido e outros quatro filhos.
Numa noite em que se encontrava sozinha, sentiu-se indisposta e foi à casa de banho, tendo expelido o bebé sem estar à espera do nascimento, segundo relatou ao coletivo de juízas, que ficou impressionadas com a frieza do seu relato.
Liliana Leitão, de 36 anos, disse ainda que o recém-nascido nasceu para dentro da sanita, tal como consta do despacho de acusação, tendo de seguida ficado nos seus braços, sem respirar.
Ao invés de procurar auxílio, Liliana Leitão contou em tribunal como se vestiu, enrolou o corpo numa toalha, colocou-o dentro de um saco de plástico e se dirigiu a uma ponte ferroviária entre Alvega e Mouriscas, onde o atirou ao rio.
“A senhora tem consciência da gravidade dos seus atos?”, perguntou-lhe durante a audiência a juíza presidente do coletivo, que recebeu como resposta um encolher de ombros, de alguém que, apesar de se dizer arrependida, não conseguiu explicar as razões do crime.
Para o MP, o facto de ter ocultado que estava grávida revela a intenção que teve em não deixar viver o bebé, uma vez que o homicídio foi descoberto quase acidentalmente.
Os serviços de saúde do Hospital de Abrantes detetaram a gravidez de Liliana Leitão já com 36 semanas, num episódio em que se deslocou à urgência com dores numa perna.
Como nunca mais tiveram registo do nascimento da criança, contataram as autoridades.
A Polícia Judiciária de Leiria acabou por descobrir vestígios de sangue, resultantes do parto, na casa de banho, mas nunca descobriu o cadáver do bebé.































