A entidade de economia social Humana, a operar no setor da recolha de roupa usada em Portugal há mais de 28 anos, deixará de assegurar a recolha e o tratamento do têxtil usado nas Caldas da Rainha, Santarém, Entroncamento, Almeirim, Moita, Évora e Estremoz.
Segundo a Humana, “a decisão surge na sequência da recente alteração legislativa europeia que torna obrigatória a recolha de têxtil usado pelos municípios, exigindo assim uma mudança urgente na forma como os operadores são selecionados e remunerados para a prestação deste serviço.
A Humana retirou vários equipamentos, numa primeira resposta à atual situação do mercado e com o objetivo de manter a sustentabilidade da sua atividade, afetada também pelo aumento dos custos associados aos processos logísticos e operacionais, mas a situação não ficou resolvida.
Segundo explicam, até agora a recolha têxtil era realizada mediante o pagamento, por parte dos operadores, de uma taxa de ocupação de espaço público – para colocação de contentores – ou de uma contrapartida financeira para a realização deste serviço, modelo que, no enquadramento atual, deixa de ser adequado.
“Apesar da relação institucional saudável que mantemos com as entidades, é insustentável continuarmos a pagar para ter um equipamento que responde a uma necessidade municipal obrigatória. Se o benefício e serviço público inquestionável que os gestores como a Humana representam não for reconhecido de forma justa, corremos o risco de entidades como a nossa e o próprio setor colapsar e de não existirem alternativas, o que representaria um cenário desolador do ponto de vista ambiental”, alerta Sónia Almeida, promotora nacional da Humana.
No ano passado, a Humana recuperou 3.919 toneladas de têxtil usado em 25 concelhos, com uma taxa global de reutilização na ordem dos 61%. Após a redução de equipamentos de recolha anunciada, a Humana passa a gerir 826 contentores de recolha têxtil em todo o território nacional, tendo retirado até ao momento 256 equipamentos.
































