Uma desavença fútil pelo cultivo de uma horta levou um homem a tentar matar um idoso com um golpe de enxada na cabeça da vítima, que depois foi atropelada e esteve 18 dias internada nos hospitais de Abrantes e Tomar.
O agressor, de 58 anos, vai começar a ser julgado no Tribunal de Santarém, por três crimes, homicídio qualificado na forma tentada, ofensa à integridade física e dano, segundo o Despacho de Acusação, a que a Rede Regional teve acesso.
Os factos remontam a Maio de 2018, quando a vítima, que tem 80 anos, estava com o seu filho a plantar cebolo num pequeno terreno na aldeia de Pé de Cão, concelho de Torres Novas, que amanha com o consentimento do proprietário há mais de 15 anos.
O arguido, que reside em Lisboa mas diz-se co-proprietário da horta por herança, irrompeu exaltado pelo terreno para expulsar a vítima e o filho do local, tal como já o tinha feito cerca de um mês antes.
Na sequência da discussão que se gerou, e sem que nada o fizesse prever, agarrou numa enxada e desferiu um golpe que deixou a vítima a sangrar de uma orelha, tendo de seguida ido para o seu carro, que deixou na serventia a bloquear a saída.
De marcha-atrás, o agressor conduziu o seu carro contra a viatura da vítima, destruindo ambos os vidros traseiros, luzes e farolins.
Quando a vítima se aproximou para ver os estragos do seu carro, o autor do crime fez novamente marcha-atrás e atropelou-o contra a viatura, deixando-o no chão, a sangrar, com vários traumatismos e fraturas nos membros e tronco.
O agressor deslocou-se depois ao posto da GNR de Torres Novas para apresentar queixa por invasão de propriedade, mas os militares repararam nos danos no seu carro e retiveram o homem até a situação ser apurada.
O arguido, que está em prisão domiciliária com vigilância eletrónica, é irmão do legítimo proprietário do terreno, e que sempre deu consentimentos ao idoso para cultivar a horta.
Segundo o processo, o proprietário veio esclarecer que o irmão é co-proprietário de outras parcelas próximas, mas não do terreno em causa, que é seu e de uma tia que não fez partilhas.
































