Ana Paula Oliveira é uma futura avó que se diz em luta pelo direito a acolher uma filha e a criar o neto que vai nascer.
A mulher confessa-se “revoltada” com uma decisão do Tribunal Judicial de Coruche, que mandou institucionalizar a filha de 17 anos que está grávida, contra a vontade da própria e da família.
A menor, que cresceu em vários lares e instituições fora da região, está a residir com a mãe na aldeia da Fajarda, Coruche, desde a última Páscoa, altura em que descobriu a gravidez.
“Decidimos que era melhor ela não voltar ao lar, porque agora em casa não vai faltar nada nem a ela nem ao bebé”, disse Ana Paula Oliveira à Rede Regional, explicando que a decisão foi comunicada ao Tribunal de Coruche, onde corre atualmente o processo tutelar da filha.
A decisão da justiça, que chegou no final de Junho, caiu como um balde de água fria: a menor terá que ser encaminhada para uma instituição para jovens não preparadas para a maternidade.
“Não aceito”, afirma Ana Paula, que aponta o dedo ao último relatório social apenso ao processo, e que, segundo a mulher, é omisso em relação às atuais condições de vida da família. “Eu fui lê-lo ao tribunal e está cheio de mentiras”, garante, acrescentando ainda que não foi ouvida em Conferência de Partes antes de emanado o despacho.
Depois de uma vida de grande agruras, Ana Paula, de 49 anos, tem vindo a recuperar de um passado de pobreza e dificuldades, em que viu sete dos seus nove filhos crescerem em lares e instituições, por falta de condições para os criar.
Desde há cinco anos para cá, reside por empréstimo dos sogros numa pequena quinta rural na Fajarda, que tem uma casa com seis quartos com todas as condições.
Os rendimentos mensais, com as ajudas do marido que está em Inglaterra, dos sogros e pensões, chegam aos 1.500 euros mensais.
“Não compreendo como podem dizer que não posso ajudar a criar o meu neto e dar à minha filha o apoio que ela precisa”, lamenta a mulher.
A Rede Regional procurou esclarecimentos junto da Segurança Social, que recusou prestar quaisquer comentários sobre o caso por se tratar de matéria relativa a processos de promoção e proteção de direitos de menores.































