Sáb, 13 Abril 2024

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Fundador da Horta da Fonte nas conversas na taberna

António Franco – o conhecido Toni, fundador da discoteca Horta da Fonte, em 1979 – foi o último convidado das “conversas na taberna” do Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, onde recordou os tempos em que as casas nocturnas que abriu na cidade traziam gente de todo o país, sobretudo da área metropolitana de Lisboa.

Além da Horta da Fonte, António Franco foi também proprietário do bar Coice da Mula, espaços que, durante anos, marcaram a diferença em toda a região pela qualidade musical e pelo bom ambiente que os caracterizava.

Sempre com um enorme espírito empreendedor, Toni leva mais de três décadas dedicadas à diversão nocturna, sendo talvez o principal responsável pelo epíteto que o Cartaxo ganhou, em tempos idos: a “Las Vegas do Ribatejo”.

Mas hoje os tempos são outros, e até a discoteca mais antiga do país, a funcionar quase há 33 anos, sente as dificuldades provocadas pela crise. “Hoje abro só ao sábado e para ter gente vejo-me aflito”, desabafou António Franco, explicando que clientela, é na sua grande maioria de fora do concelho.

As últimas obras efectuadas há sete anos permitiram proporcionar outro conforto ao espaço, mas o negócio da noite mudou bastante. “Criámos uma discoteca para menos gente, mas dando a hipótese às pessoas de se sentirem melhor”, contou Toni, para quem “as dificuldades de quem se dedica à diversão nocturna são muitas e avizinham-se ainda mais”.

Na sua vida “cheia de altos e baixos”, como o próprio diz, outros projectos tiveram também o seu cunho, como a discoteca Horta 2, no Algarve, a discoteca Lipp’s, em Pontével, ou o bar das piscinas municipais do Cartaxo.

Nascido em Lisboa, em 1948, António Franco tirou um curso de serralharia e com 18 anos já dava aulas, como professor de trabalhos oficinais no ensino básico. Paralelamente, praticava natação e judo, modalidade em que conquistou o título de campeão nacional. Aos 19 anos começou a cumprir o serviço militar, primeiro em Santarém, depois em Lamego, onde tirou o curso de Oficiais e Sargentos. “No último minuto do curso, um amigo morreu com um tiro na barriga, então jurei que ia ser Comando para vingar a sua morte. Um sentimento que surge nos jovens de 18, 19 anos de poderem ser pequenos heróis”. Uma parte da promessa foi cumprida. Toni formou-se como Comando em Angola, onde esteve durante dois anos.

Mas outras aventuras lhe estavam reservadas no regresso a Portugal.

Filho de um tipógrafo que foi fundador do jornal “A Bola” e que trabalhava na Casa das Obras do Diário Popular, onde se fazia este jornal desportivo e o “Record”, Toni recebeu do pai o gosto pela comunicação social, enveredando pela área da publicidade.

Foi no Diário Popular que assumiu as primeiras funções nesse campo, e “em pouco tempo, devido à minha entrega e maneira de ser, fui subindo chegando a sub-chefe da secção de publicidade. Dei nas vistas rapidamente”.

Seguidamente, foi convidado a chefiar o jornal “A República”, do qual guarda muitas recordações: as visitas da PIDE que entrava redacção a dentro para prender jornalistas, de Mário Soares à porta do jornal, da luta que antecedeu o fecho do jornal. “Não fui para o jornal por opções políticas, foi por questões profissionais, para subir na vida”.

Mas após toda a luta que envolveu esse jornal, Toni chegou a ser apelidado de comunista.  “Eu acreditava num jornalismo plural, não aceitava que quisessem fazer dele um jornal do PS. Foi um ano de luta. Pus-me ao lado dos trabalhadores, cheguei a decidir os cabeçalhos, a fazer reportagens e fotografia e ia entregar o jornal ao Porto”, recordou.

Foi no final dos anos 60 que Toni conheceu Luís Filipe e começou a vir a festas e convívios ao Cartaxo. Em 1977, muda-se para a capital do vinho para explorar “A Eira”, que se viria a transformar na discoteca Horta da Fonte. As vivências dos últimos 34 anos passados no Cartaxo não o fizeram esquecer a capital portuguesa – porque nunca se esquece a terra onde se nasceu – mas permitiram-lhe descobrir outros encantos.

“O Cartaxo tem uma qualidade de vida que não tem Lisboa. Para mim, hoje é um sacrifício ir a Lisboa, o trânsito, o tempo que se gasta de um sítio para outro. É um desgaste enorme. Aqui sou plenamente feliz”, desabafou o empresário. 

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