A família de Gonçalo Neves, o jovem de Alpiarça que sofreu lesões cerebrais muito graves num acidente de viação ocorrido em 2011, diz-se “consternada” e “inconformada” com o adiamento da primeira audiência de julgamento do processo crime que vai julgar o sinistro, e que estava marcado para esta terça-feira, 6 de outubro, no Tribunal do Cartaxo.
Segundo informações da família, o julgamento foi adiado sem data porque o relatório da perícia médico legal que deverá ser feita a Gonçalo Neves, conhecido entre os amigos pela alcunha de “Tofu”, pelo Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) ainda não se encontra no processo.
A peça não está nos autos porque, apesar da sua realização ter sido deferida e ordenada em Março de 2015, não houve qualquer diligência por parte do Tribunal do Cartaxo para a sua concretização, facto que está a provocar a indignação dos familiares mais próximos da vítima.
A família conta ter informado o Tribunal que Gonçalo Neves esteve em Coimbra para ser submetido a uma intervenção cirúrgica em Junho último, pelo que seria oportuno realizar a perícia em Julho, durante o seu internamento.
“Durante os meses de Junho, Julho e Agosto, foi o tribunal contatado por várias vezes pela nossa mandatária apelando à realização da perícia”, conta a mãe do jovem, Sandra Martins, mas “o que é certo é que o Gonçalo regressou a Espanha a 31 de Agosto, para a continuidade do tratamento que vem fazendo desde Setembro de 2013, sem efetuar a referida perícia médico legal”.
“É inacreditável que passados seis meses do despacho que defere e ordena a realização da perícia, mais de um ano sobre o despacho instrutório com prenuncia e mais de quatro anos do acidente de viação, o cumprimento das obrigações da justiça sejam as anteriormente descritas”, acrescenta Sandra Martins.
Tal como a Rede Regional noticiou em julho de 2014, depois da leitura da decisão instrutória, o acidente de viação que ocorreu a 1 de setembro de 2011, em Vila Chã de Ourique, vai ser julgado em processo-crime.
O arguido é Pedro Miguel Vieira Amorim, o motorista do pesado de mercadorias que colidiu com o carro onde seguia o jovem militar do Exército Português, e que está acusado do crime de condução perigosa, agravada pelo resultado ofensa à integridade física grave.
Gonçalo Neves sofreu um traumatismo crânio encefálico (TCE) que o deixou inicialmente num estado vegetativo, mas o seu estado de saúde tem vindo a melhorar gradualmente graças à luta da família, que se recusou a acreditar que os danos cerebrais eram irreversíveis, como lhes foi transmitido pelos médicos do Serviço Nacional de Saúde que acompanharam o jovem nos primeiros meses após o sinistro.
O jovem está a ser seguido em Santiago de Compostela, Espanha, numa das clínicas mais avançadas do mundo no tratamento de lesões neurológicas, mas todas as despesas têm estado a ser suportadas pela família.
“Quanto a nós, pais, já não sabemos como inventar dinheiro para tentar recuperar algo do nosso filho”, lamenta ainda Sandra Martins, confessando que “a angústia e o desespero é cada vez maior”.































